Atualizações em Epilepsia – Jul-Ago/11

Publicado: 11/08/2011 em Epilepsia

Desfecho de crises epilépticas e seus preditores após cirurgia de epilepsia do lobo temporal em pacientes com IRM normal.

(“Seizure outcome and its predictors after temporal lobe epilepsy surgery in patients with normal MRI”)

Fong JS, Jehi L, Najm I, Prayson RA, Busch R, Bingaman W

Epilepsia 2011; 52(8): 1393-1401

 

Abstract: OBJETIVO: Caracterizar desfechos de crises após cirurgia de epilepsia do lobo temporal em pacientes com imagem de ressonância magnética do crânio pré-operatória sem lesões epileptogênicas. MÉTODO: Coorte retrospectiva com 64 pacientes submetidos à cirurgia de epilepsia do lobo temporal entre 1996 e 2009, com ressonância normal. RESULTADOS: Com acompanhamento médio de 4,1 anos (1-14,5), principalmente por lobectomia temporal anterior (84%) e neuropatológico sem lesão (45%). Chance de desfecho Engel I (livre de crises com alteração de consciência) 81% (IC 95% 76-86%), com queda progressiva até 69% em 7 anos. Dois fatores são preditores de falência pós-operatória: mais de 12 crises pré-operatórias por mês e presença de crises tônico-clônica generalizada pré-op. CONCLUSÃO: Uma ressonância normal não deve evitar avaliações pré-operatórias em pacientes com epilepsia do lobo temporal, pois o desfecho pós-cirúrgico se aproxima bastante dos pacientes com lesão epileptogênica.

Comentário: Trabalho do grupo que pode ser o que mais opera lobo temporal no mundo, a Cleveland Clinic. O protocolo de investigação é o padrão para centros desse tipo, com 52% dos casos sendo submetidos à monitorização invasiva subdural. A IRM é 1,5T, inferior à 3T usada atualmente. O que chama atenção é o alto número de PET cerebral alterado (92%), sendo unilateral em 67%. Sendo assim, a lição é que a cirurgia deve ser tentada nos pacientes com epilepsia de lobo temporal e ressonância normal, contanto que o PET cerebral seja alterado.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21790546

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Um estudo populacional retrospectivo sobre crises epilépticas relacionadas à vacinação infantil.

(“A retrospective population-based study on seizures related to childhood vaccination”)

von Spiczak S, Helbig I, Drechsel-Baeuerle U, Muhle H, van Baalen A, van Kempen MJ, Lindhout D, Scheffer IE, Berkovic SF, Stephani U, Keller-Stanislawski B

Epilepsia 2011; 52(8): 1506-12

 

Abstract: OBJETIVO: Casos de epilepsias infantis graves com associação temporal a vacinações têm grande impacto na aceitação de programas de vacinação por pais e agentes de saúde. Entretanto, pouco se sabe sobre o tipo e freqüência das crises e sindomes epilépticas que seguem a vacinação. O estudo pretende descrever as características clinicas de crianças que apresentaram crises após vacinação utilizando uma coorte baseada em registros. MÉTODO: Pesquisa no registro alemão de eventos adversos a vacinas, localizando entradas por crises e síndromes epilépticas em crianças menores de 6 anos de idade, entre 2006-2008. RESULTADOS: Análise retrospectiva, em que foram incluídos 328 casos suspeitos de crise. Destes, apresentavam dados coerentes 247 (75,3%), com média de intervalo para crise de 24h (vacina inativada) ou 7,5 dias (atenuada). Eventos não-epilépticos consistentes ocorreram em 15,5% dos casos. Nos 11,3% restantes os dados eram inconclusivos. Nos casos de crise confirmada, ela foi febril em metade dos casos, e status em 8,5%. Sindromes epilépticas graves ocorreram em 11,7% dos casos. CONCLUSÃO: Síndromes epilépticas graves ocorrem em >10% dos casos de crises epilépticas pós-vacinais.

Comentário: O estudo não tem o objetivo de estabelecer relações causais entre vacina e epilepsia, pois não avaliou pessoas vacinadas e que não tiveram nada. Eles reforçam que estudos cuidadosos no passado já desvincularam vacinas a eventos neurológicos. O objetivo foi observar quais eventos epilépticos, quando ocorrem, são observados nas crises pós-vacinal. O que se percebeu é que a vacinação pode sim desmascarar uma síndrome epiléptica grave de base genética, como síndrome de Dravet, e devem ser observadas de perto, principalmente para DNPM. Além disso, se identificada uma síndrome epiléptica grave, ela não é pior nos vacinais que nos não-vacinais.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21692791

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Abordagem baseada em evidências do uso diagnóstico adequado da eletroencefalografia na suspeita de crises epilépticas.

(“An evidence-based approach to proper diagnostic use of the electroencephalogram for suspected seizures”)

Brigo F

Epilepsy & Behavior 2011; 21: 219-22

 

Abstract: OBJETIVO: Determinar quando o EEG deve ser aplicado, ambulatorialmente, na investigação de epilepsia. MÉTODO: Artigo de revisão. RESULTADOS: O EEG possui alta especificidade e baixa sensibilidade. Usando princípios do teorema de Bayes, buscou-se determinar quando ele ajuda e quando ele atrapalha no raciocínio diagnóstico. CONCLUSÃO: Possui alta especificidade e baixa sensibilidade, dessa forma não deve ser solicitado quando há muito baixa suspeita de epilepsia. Sua repetição aumenta a especificidade para >90%, mas não alcança 100%. A especificidade é alta, e sua solicitação em pacientes sabidamente epilépticos não tem tanto interesse em dar o diagnóstico de epilepsia, mas é crítico para seu manejo.

Comentário: Uma revisão com poucos artigos, mas de pesquisador renomado e com estudos importantes na área de crise inédita; dessa forma sua visão do EEG é próxima do neurologista ambulatorial padrão. Infelizmente, há poucos estudos nessa área, e eles são antigos.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21624850

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Abordagem racional às opções de tratamento para síndrome de Lennox-Gastaut.

(Rational approach to treatment options for Lennox-Gastaut syndrome)

Montouris GD

Epilepsia 2011; 52(Suppl. 5): 10-20

 

Abstract: OBJETIVO: Determinar intervenções eficazes para amenizar a síndrome de Lennox-Gastaut (SLG), uma encefalopatia epiléptica intratável de início na infância. MÉTODO: Artigo de revisão e opinião. RESULTADOS: Das quatro drogas autorizadas para uso em SLG pelo FDA (os únicos com ensaios randomizados): felbamato, lamotrigina, topiramato e rufinamida, esta última obteve o melhor desempenho. Estimulador de nervo vago pode reduzir em 60% o número de crises. Orientações sobre efeitos adversos de DAE e interações são fornecidas. CONCLUSÃO: Apesar de incurável, uma série de intervenções possui potencial para reduzir as crises epilépticas, e é necessária atenção para evitar efeitos adversos de tratamentos exagerados.

Comentário: Bom artigo, dando visão geral dos cuidados com pacientes que têm SLG.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21790561

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Controle a longo-prazo de crises com queda com uma combinação de valproato, lamotrigina e benzodiazepínico: um estudo piloto aberto.

(“Long-term control of epileptic drop attacks with the combination of valproate, lamotrigine, and a benzodiazepine: a “proof of concept”, open label study”)

Machado VH, Palmini A, Bastos FA, Rotert R

Epilepsia 2011; 52(7): 1303-10

 

Abstract: OBJETIVO: Pesquisar se há embasamento para a hipótese que a associação entre VPA, LTG e um benzodiazepínico poderiam reduzir a incidência de crises com queda. Se houver, um estudo mais amplo pode ser proposto para determinar qual a magnitude do benefício, e se não se trata de um falso positivo, com a execução de um ensaio randomizado. MÉTODO: Estudo aberto com 32 pacientes, que tivessem qualquer tipo de epilepsia refratária e crises com queda. Após entrada, foi administrada medicação por 12 semanas e seu verificou freqüência de crises. RESULTADOS: Após 12 meses, as crises com queda reduziram em 96% (p<0,001). Houve efeitos adversos em 68% dos pacientes, mas sem necessidade de suspensão das drogas em estudo. CONCLUSÃO: Esta associação é promissora para a redução na incidência de crises com queda.

Comentário: Reforça o benefício da associação de VPA+LTG, e indica a possibilidade de benefício adicional de benzodiazepínicos. Abre caminho para estudos mais amplos que determinem segurança e grupos mais beneficiados, como os que têm Sindrome de Lennox-Gastaut.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21729037

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