Atualizações em Distúrbios do Sono – Jul-Ago/11

Publicado: 28/08/2011 em Distúrbios do Sono

Valores normativos de parâmetros polissonográficos na infância e adolescência: os parâmetros quantitativos do sono

Normative values of polysomnographic parameters in childhood and adolescence: quantitative sleep parameters

Scholle S, Beyer U, Bernhard M, Eichholz S, Erler T, Graness P, Goldmann-Schnalke B, Heisch K, Kirchhoff F, Klementz K, Koch G, Kramer A, Schmidtlein C, Schneider B, Walther B, Wiater A, Scholle HC

Sleep Med. 2011 Jun;12(6):542-9. Epub 2011 May 20

 

Abstract: OBJETIVO:  Fornecer valores normativos para a macroarquitetura do sono de crianças saudáveis ​​com idades entre 1-18 anos usando os critérios da AASM, avaliando os efeitos do gênero, idade e estágio puberal. MÉTODOS:  Polissonografia de noite inteira realizada em 209 crianças alemãs saudáveis no horário de sono habitual em 16 laboratórios ​​de sono. RESULTADOS:  Valores normais da macroestrutura do sono são idade-dependentes (p <0,05). Aumentam com a idade: índice de despertares, a latência para o sono REM(RL), eficiência do sono (SE) (tempo total de sono (TST) / periodo de sono (SPT)) e SE (TST / tempo na cama), estágio N2, duração média do ciclo do sono , número de trocas de estágio de sono. Diminuem com a idade: TST, SPT, tempo acordado após início do sono (WASO), estágio N3, estágio REM, tempo de movimento (MT), número de ciclos de sono. Os parâmetros de sono a seguir mostram uma dependência do desenvolvimento (estágios de Tanner), bem como da idade correspondente (p <0,05): TST, SPT, o índice de despertar, latência para o sono REM, N2, N3, MT, número de ciclos de sono, a média de duração do ciclo do sono. Não foram encontradas dependências de gênero. CONCLUSÃO:  Este estudo, considerando-se as regras AASM, mostra o desenvolvimento do sono em crianças normais com idades entre 1-18. São discutidos critérios de seleção dos sujeitos e outros fatores que influenciam o sono, bem como modificações nas diretrizes da AASM, incluindo marcação dos despertares em N2 e MT, como medida da fragmentação do sono.

Comentário: Desde a publicação do manual da AASM para marcação do sono e eventos associados em 2007, há muita discussão na literatura sobre quais seriam os valores normais para interpretação do exame de polissonografia. Na faixa étaria de crianças e adolescents, a literature ainda é muito escassa e esse estudo  vem colaborar para sistematizar o conhecimento nessa área. Por ser um estudo realizado em um único país, efeitos da etnia devem ser considerados.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21601520

 

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Alterações nas respostas à dor em pacientes com síndrome das pernas inquietas tratados e não tratados: associações com distúrbios do sono

Alterations in pain responses in treated and untreated patients with restless legs syndrome: associations with sleep disruption

Edwards RR, Quartana PJ, Allen RP, Greenbaum S, Earley CJ, Smith MT

Sleep Med. 2011 Jun;12(6):603-9

Abstract: OBJETIVO: Há um interesse recente na caracterização de possíveis anormalidades no processamento da dor em pacientes com transtornos do sono como na Síndrome das Pernas Inquietas (SPI). O objetivo deste estudo foi avaliar as respostas psíquicas e físicas a estímulos nocivos tipo calor e pressão em pacientes com SPI tratados e não tratados, e compará-los com controles pareados. MÉTODOS: Este estudo é uma comparação transversal entre  grupos de pacientes com SPI e controles. Um total de 31 pacientes (15 tratados, 16 não tratados) com diagnóstico confirmado de SPI foram comparados com 18 controles sem história de SPI ou transtornos do sono relacionados. RESULTADOS: Pacientes com SPI (tanto os tratados, quanto os não tratados) demonstraram limiares de dor reduzidos e relataram mais dor em relação aos controles. Além disso, os pacientes com SPI demonstraram aumento da somação temporal à dor pelo calor (p <0,05), o que pode refletir facilitação da transmissão aberrante da dor no sistema nervoso central desses pacientes. Os pacientes com SPI (tratados ou não) relataram sono mais fragmentado em relação aos controles e análises de mediação sugeriram que o limiar reduzido à dor em pacientes com SPI podem ser atribuidos à interrupção do sono. No entanto, o efeito da SPI na magnitude da somação temporal de dor pelo calor foi independente da fragmentação do sono. CONCLUSÃO: Estes achados sugerem que o processamento central da modulação da dor pode estar alterado nos pacientes com SPI, possivelmente em parte como conseqüência da interrupção do sono. Esses pacientes, mesmo aqueles cujos sintomas são gerenciados farmacologicamente, podem estar sob risco para o desenvolvimento ou manutenção de dor persistente a longo prazo. Novos estudos em populações maiores poderiam ajudar a melhorar as perspectivas de tratamento da dor em pacientes com síndrome das pernas inquietas.

Comentário: O processamento central da dor é motivo de grande interesse em várias áreas da prática neurológica, a importância dos transtornos do sono nesse âmbito tem crescido, podendo levar a alguma ajuda no manejo desses pacientes. Especificamente no caso da SPI, a fisiopatologia ainda não está completamente elucidada apesar das evidências apontarem para a importância dos sistemas dopaminérgico e opioidérgico. Há dúvida se esta predisposição à dor é consequência da fragmentação do sono causado pelos movimentos periódicos ou se existe um substrato estrutural comum a ambas. Nesse contexto, o presente estudo, conduzido em um dos grupos com maior influência nas publicações em SPI, com estímulos padronizados e controles pareados, oferece fundamentação para estudos posteriors nesta area.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21570347

 

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A apnéia do sono é um preditor mais forte para doença coronária do que os fatores de risco tradicionais

Sleep apnea is a stronger predictor for coronary heart disease than traditional risk factors

Martinez D, Klein C, Rahmeier L, da Silva RP, Fiori CZ, Cassol CM, Gonçalves SC, Bos AJ

Sleep Breath. 2011 Jul 28. [Epub ahead of print]

 

Abstract: INTRODUÇÃO: A apnéia do sono (AS) pode estar ligada à doença arterial coronariana (DAC). Ambas as condições apresentam fatores de risco semelhantes, confundindo a análise. A investigação do perfil lipídico é rotina na população adulta, mesmo sem sintomas ou doença cardíaca suspeita. A AS, no entanto, continua subdiagnosticada, mesmo na presença de manifestações clínicas inequívocas. OBJETIVO: O objetivo deste estudo foi verificar a associação entre AS e DAC, com ajuste dos fatores de risco habituais para DAC. MÉTODOS: Pacientes submetidos a coronariografia diagnóstica ou terapêutica e a polissonografia portátil do tipo III foram estudados. A gravidade da AS foi determinada pelo índice de apnéia-hipopnéia (IAH). Fatores clássicos de risco para DAC foram medidos: glicemia de jejum; Colesterol total, HDL, e LDL; triglicérides, ácido úrico, e proteína C reativa de alta sensibilidade. Foram excluídos os pacientes com mais de 65 anos, com índice de massa corporal superior a 40 kg/m2, diabéticos, e com história de tabagismo no ano anterior. RESULTADOS: Dos 55 pacientes incluídos, 28 tiveram IAH> 14, mostrando uma razão de chances de 8,7 para DAC. Pacientes sem DAC (n = 29) e com DAC (n = 26), evidenciaram AHI de, respectivamente, 11 ± 11 e 23 ± 14 por hora (P = 0,001). Em uma regressão logística binária para prever DAC, controlando todos os fatores de risco acima, as únicas variáveis que entraram no modelo “stepwise” foram IAH ( tanto como variável contínua ou categórica) e ácido úrico. CONCLUSÃO: Em uma amostra sem fumantes, obesos mórbidos, ou pacientes diabéticos, IAH é o principal preditor de DAC. AS deveria integrar o conjunto de fatores de risco avaliada rotineiramente em investigação clínica para a estratificação de risco de doença coronária.

Comentário: O presente estudo, um caso-controle, realizado por grupo brasileiro do Rio Grande do Sul, está em conformidade com o crescente número de publicações apontando a Síndrome da Apnéia do Sono (SAOS) como fator de risco para aterosclerose, no caso a DAC. O controle das possíveis variáveis confundidoras é o ponto forte do trabalho. A regressão logística é recurso frequentemente usado mesmo nos grandes coortes como o Sleep Heart Health Study e o Wisconsin Sleep Cohort Study, para avaliação da SAOS de forma isolada,  devido à associação de comorbidades nesses pacientes. Infelizmente ainda há resistência na avaliação rotineira para SAOS nesses pacientes, seja por desconhecimento ou pelo custo de realizar a polissonografia.  Nesse trabalho foi utilizado polígrafo portátil do tipo III, estratégia cada vez mais usada pela facilidade e menor custo. Apesar de promissora, é importante lembrar que esse método ainda não pode ser usado de forma irrestrita, sendo recomendado para pacientes de alto risco para SAOS.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21796489

 

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