Atualizações em Neurorradiologia Intervencionista – Set/11

Publicado: 07/09/2011 em Neurorradiologia Intervencionista
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Uso do stent diversor de fluxo Pipeline para o tratamento de aneurismas cerebrais de morfologia complexa rotos

(The Pipeline flow-diverting stent for exclusion of ruptured intracranial aneurysms with difficult morphologies)

Martin AR, Pablo Cruz J, Matouk CC, Md JS, Marotta TR

Neurosurgery. 2011 Aug 9

 

Abstract: Introdução: O dispositivo de embolização Pipeline (PED) é um stent diversor de fluxo que pode representar uma nova ferramenta terapêutica no tratamento dos aneurismas cerebrais de dificil manejo, incluindo os que se apresentam com hemorragia subaracnóide (HSA). Objetivo: Demonstrar a viabilidade da utilização do PED como tratamento primário de aneurismas rotos com morfologias desafiadoras. Métodos: Três pacientes apresentando aneurismas cerebrais rotos. Foram encontrados três aneurismas diferentes e de morfologias complexas: 1) Um pequeno pseudo-aneurisma de tronco de basilar, 2) um aneurisma blister da carótida interna, e 3) um aneurisma dissecante de junção A1/A2. Todos foram tratados por um ou mais PEDs. Resultados: Foram implantados PEDs com sucesso em todos os três casos. Dois pacientes foram tratados com dois PEDs sobrepostos, enquanto o terceiro paciente foi tratado com um único dispositivo. A oclusão do aneurisma foi obtida em todos os três casos, sem ressangramento ou qualquer outro evento clínico adverso. Conclusão: A aplicação do stent diversor de fluxo Pipeline pode ser uma opção viável de tratamento dos aneurismas cerebrais de morfologia complexa, no contexto da HAS aguda.

Comentário: Os autores reportaram três casos de HSA, onde foram encontrados aneurismas complexos, do ponto de vista estrutural e terapêutico, que foram excluidos da circulação, com sucesso, pelo Pipeline. Apesar de ser uma série de apenas 3 casos, os autores apresentaram uma aplicação do stent diversor de fluxo para aneurismas rotos. O artigo é importante por trazer novas perspectivas ao tratamento da HSA aneurismática e, possivelmente, abrirá portas para estudos futuros, por exemplo estudos comparativos entre a embolizacao com micro-molas e os diversores de fluxo. 

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21841519

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Epilepsia após hemorragia subaracnóide: Frequência de crises após a clipagem ou embolização com micro-molas

(Epilepsy after subarachnoid hemorrhage: the frequency of seizures after clip occlusion or coil embolization of a ruptured cerebral aneurysm)

Hart Y, Sneade M, Birks J, Rischmiller J, Kerr R, Molyneux A

J Neurosurg. 2011 Aug 5

 

Abstract: Objetivo: O objetivo deste estudo foi determinar a probabilidade de crises epilépticas após o tratamento do aneurisma cerebral por clipagem e embolização com micro-molas, e identificar os riscos e os preditores de crises a longo prazo. Métodos: A população do estudo incluiu 2143 pacientes, de 43 centros, com aneurismas cerebrais rotos que foram randomizados para clipagem ou embolização com micro-molas. Aqueles pacientes que apresentaram crise epiléptica foram seguidos e avaliados prospectivamente: antes do tratamento, após o tratamento, antes da alta, um ano após a alta e então anualmente. Resultados: Duzentos e trinta e cinco (10,9%) dos 2.143 pacientes apresentaram crise após a randomização; 89 (8,3%) de 1073 e 146 (13,6%) de 1070 pacientes que receberam tratamento endovascular e neurocirúrgico, respectivamente (p = 0,014). Em 19 pacientes a crise foi associada a resangramento. Daqueles pacientes que foram submetidos unicamente a embolização, 52 apresentaram uma crise, e no grupo tratado unicamente por oclusão com clipe, 91 pacientes apresentaram uma crise. O risco de uma crise após a alta, no grupo endovascular, foi de 3,3% em 1 ano e 6,4% em 5 anos. No grupo neurocirúrgico foi de 5,2% em 1 ano e 9,6% em 5 anos. O risco de crise foi significativamente maior no grupo neurocirúrgico em 2 anos e até 14 anos (p = 0,005 e p = 0,013, respectivamente). Os preditores de aumento do risco de crise foram: tratamento neurocirúrgico, hazard ratio (HR) 1,64 (95% CI 1,19-2,26); menor idade, HR 1,54 (IC 95% 1,14-2,13); Escala de Fisher grau> 1, HR 1,34 (IC 95% 0,62-2,87); déficit neurológico tardio devido a isquemia por vasoespasmo, HR 2,10 (IC 95% 1,49-2,94); e complicações tromboembólicas, HR 5,08 (IC 95% 3,00-8,61). Aneurisma localizado na artéria cerebral média também foi um preditor significativo de aumento do risco em ambos os grupos, HR 2,23 (95% CI 1,57-3,17), com um risco de crise de 6,1% e 11,5% em um ano no grupos neurocirúrgico e endovascular, respectivamente. Conclusões: O risco de crise epiléptica após a embolização com micro-molas é significativamente menor do que após a oclusão com clipe. Aneurismas da artéria cerebral média apresentam risco aumentado de crises epilépticas para ambos os grupos.

Comentário: Trata-se de um artigo interessante por ser prospectivo, multicêntrico, apresentar uma casuística significativa e identificar preditores de crise epiléptica nos pacientes com HAS, dados muito importantes para orientar a tomada de decisões na prática diária. 

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21819189

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Melhora neurocognitiva após a recanalização da carótida com stent em pacientes com oclusão carotídea crônica e isquemia cerebral

(Neurocognitive Improvement After Carotid Artery Stenting in Patients With Chronic Internal Carotid Artery Occlusion and Cerebral Ischemia)

Lin MS, Chiu MJ, Wu YW, Huang CC, Chao CC, Chen YH, Lin HJ, Li HY, Chen YF, Lin LC, Liu YB, Chao CL, Tseng WY, Chen MF, Kao HL

Stroke. 2011 Aug 11

 

Abstract: Objetivo: A hipoperfusão cerebral crônica pode levar ao comprometimento no desempenho neurocognitivo de pacientes com oclusão crônica da artéria carótida interna, e os efeitos da recanalização com stent da carótida na função neurocognitiva não estão bem estabelecidos. Métodos: Incluimos 20 pacientes, prospectivamente, com oclusão crônica da artéria carótida e isquemia cerebral ipsilateral, nos quais foi tentada recanalização com stent da carótida ocluida. As avaliações funcionais utilizaram o NIHSS, o Índice de Barthel, e uma bateria de testes neuropsicológicos, incluindo o Mini Exame do Estado Mental, Doença de Alzheimer Assessment Scale-Cognitive Subteste, fluência verbal, e Trail Cor Making A e B, que foram aplicados antes e três meses após a intervenção. Resultados: A recanalização foi alcançada em 12 dos 20 pacientes (60%). Não houveram novos eventos cerebrais isquêmicos, com exceção de uma hemorragia intracraniana, que ocorreu durante o procedimento e levou a sequelas neurológicas; este caso foi excluido da análise. Os dados demográficos e o desempenho cognitivo foram similares entre o grupo com resultado positivo (grupo 1, n = 12) e o grupo com resultado negativo (grupo 2, n = 7). Dez dos 12 pacientes do grupo 1 apresentaram melhora na perfusão cerebral ipsilateral após o procedimento, mas nenhum no grupo 2 apresentou melhora. Houve melhora significativa nos escores de avaliação da doença de Alzheimer Scale-Cognitive Subteste (antes, 7,7 ± 8,9 versus depois, 5,7 ± 7,1, P = 0,024), Mini-Exame do Estado Mental (antes, 25,8 ± 3,8 versus depois, 27,7 ± 2,7; P = 0,015) e Trail Making A Cor (antes, 123,2 ± 68,6 versus depois, 99,3 ± 51,5, P = 0,017) no grupo 1, mas não no grupo 2. Conclusões: A recanalização da carótida com stent melhora a função cognitiva global, bem como atenção e velocidade de processamento psicomotor em pacientes com oclusão crônica da artéria carótida interna.

Comentário: Este trabalho avaliou o perfil neurocognitivo de 20 pacientes com oclusão crônica da carótida interna e AVC isquêmico prévio. Os pacientes foram então submetidos ao procedimento intervencionista objetivando a recanalização da carotida por stent. Entre os 20 pacientes a recanalização foi conseguida em 12. Houve melhora do perfil cognitivo dos pacientes tratados. Um paciente apresentou hemorragia cerebral e foi exluido do estudo. O estudo traz uma abordagem nova da doença aterosclerótica carotídea que é a recanalização da artéria cronicamente ocluida. Iwata T e colaboradores publicaram em julho deste ano uma série de 6 casos onde foi realizada a reabertura de 4 carótidas e 2 verterbrais pela técnica de reversão de fluxo (Neurosurgery 2011. Jul 19) e não foram observados eventos isquêmicos ou reestenose em 1 ano de seguimento. A publicação destes artigos é de grande importância porque nos leva à discussão sobre o tratamento de vasos cervicais ocluidos cronicamente. Entretanto, novos estudos são fundamentais para se confirmar os resultados publicados e que também comparem diferentes técnicas de proteção embólica.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21836094

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