O efeito projetado da redução dos fatores de risco na prevalência da doença de Alzheimer

(“The projected effect of risk factor reduction on Alzheimer’s disease prevalence”)

Barnes DE, Yaffe K

Lancet Neurol 2011; 10:819-28

 

Abstract: Atualmente, aproximadamente 33,9 milhões de pessoas ao redor do mundo têm doença de Alzheimer (DA), e se espera que a prevalência triplique nos próximos 40 anos. O objetivo desta revisão é resumir as evidências de 7 fatores de risco potencialmente modificáveis para DA: diabetes, hipertensão na idade adulta, obesidade na idade adulta, tabagismo, depressão, inatividade cognitiva ou baixa escolaridade e inatividade física. Além disso, nós projetamos o efeito da redução dos fatores de risco na prevalência de DA através do cálculo dos riscos atribuíveis populacionais (porcentagem de casos atribuíveis a um fator específico) e o número de casos de DA que poderiam ser prevenidos pela redução dos fatores de risco em 10% e 25% da população mundial e dos EUA. Juntos, até metade dos casos de DA no mundo (17,2 milhões) e nos EUA (2,9 milhões) são potencialmente atribuíveis a estes fatores. Uma redução de10 a 25% em todos os 7 fatores de risco poderia prevenir potencialmente de1,1 a 3 milhões de casos de DA pelo mundo e de184 a 492 mil casos nos EUA.

Comentário: Infelizmente, já que as drogas modificadoras de doença não mostram resultados importantes na doença de Alzheimer, cada vez se estuda mais maneiras de se prevenir o surgimento da DA. Sabe-se que vários fatores de risco, como os citados no abstract, que são modificáveis, podem reduzir drasticamente a prevalência desta doença neurodegenerativa. Aproveitando que estamos no mês da doença de Alzheimer, devemos encorajar as pessoas a conhecer e evitar estes fatores de risco, não apenas para prevenção de DA, mas para várias doenças crônicas.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21775213

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Inclusão do Transtorno Comportamental do Sono REM melhora a classificação diagnóstica d demência por corpos de Lewy

(“Inclusion of RDB improves the diagnostic classification of dementia with Lewy bodies”)

Ferman TJ, Boeve BF, Smith GE, Lin SC, Silber MH, Pedraza O, Wszolek Z, Graff-Radford NR, Uitti R, Van Gerpen J, Pao W, Knopman D, Pankratz VS, Kantarci K, Boot B, Parisi JE, Dugger BN, Fujishiro H, Petersen RC, Dickson DW

Neurology 2011; 77:875-882

 

Abstract: OBJETIVO: Para determiinar se a adição do transtorno comportamental do sono REM (TCREM) aos critérios diagnósticos da demência por corpos de Lewy (DCL) melhora a acurácia da classificação em casos de DCL confirmados por necrópsia. MÉTODOS: Nós seguimos 234 pacientes consecutivos com demência até a necropsia, com média de 4 avaliações por ano. Diagnósticos clínicos incluíram DCL, doença de Alzheimer (DA), síndrome corticobasal e demência frontotemporal. O diagnóstico patológico obedeceu os critérios do consenso de DCL de 2005 e incluiu sem/baixa probabilidade de DCL (não-DCL; n = 136) e intermediária/alta probabilidade de DCL (DCL; n = 98). Modelo de regressão e análise de sensibilidade e especificidade foram usados para avaliar o papel diagnóstico do TCREM. RESULTADOS: Cada uma das 3 características principais aumentaram a chance de DCl confirmada em necropsia em até 2 vezes, e o TCREM aumentou a chance em 6 vezes. Quando DCL clinicamente provável englobou demência e 2 ou mais das 3 características, a sensibilidade foi de 85% e especificidade de 73%. Quando TCREM foi adicionada (como característica principal) e DCL provável englobou 2 ou mais das 4 características, a sensibilidade aumentou para 88%. Quando demência e TCREM foram ambos designados como DCL provável, a sensibilidade aumentou para 90%, enquanto que especificidade se manteve em 73%. O modelo com alucinações visuais, parkinsonismo e TCREM reduziram a sensibilidade para 83%, mas elevou a especificidade para 85%. CONCLUSÕES: Inclusão do TCREM como uma característica clínica principal aumenta a acurácia diagnóstica da DCL comprovada em necrópsia.

Comentário: Mesmo sendo a segunda causa mais prevalente de demência no mundo, a DCL ainda é subdiagnosticada, e talvez pela baixa sensibilidade de seus critérios diagnósticos atuais. Isto é importante na prática clínica, pois às vezes estes pacientes não são tratados devidamente com inibidores da acetilcolinesterase e neurolépticos podem ser usados de modo iatrogênico. A inclusão desta condição, o TCREM, como um critério primário para o diagnóstico de DCL aumentou para a animadora margem de 90% de sensibilidade, mantendo a especificidade. Vale a pena lembrar que o TCREM pode ser detectado na anamnese e confirmado através da polissonografia, e que também é freqüente na doença de Parkinson.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21849645

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Tecnologia de Células-Tronco para Doenças Neurodegenerativas

(“Stem cell technology for neurodegenerative diseases”)

Lunn JS, Sakowski SA, Hur J, Feldman EL

Ann Neurol 2011; 70(3):353-61

Abstract: Nos últimos 20 anos, as tecnologias em células-tronco se tornaram uma atrativa opção em ascensão para investigar e tratar doenças neurodegenerativas. Nesta revisão, nós discutiremos o processo de ampliação da pesquisa básica em células-tronco em terapias translacionais para pacientes com doenças neurodegenerativas. Nós iniciamos com uma discussão sobre a carga destas doenças para a sociedade, enfatizando a necessidade para uma atenção maior para avanços em terapias com células-tronco. Então explicamos os vários tipos de células-tronco usados em pesquisa de doenças neurodegenerativas, e delineamos questões importantes a se considerar na transição de terapias com células-tronco da bancada para a beira do leito. Finalmente, nós detalhamos os progressos atuais envolvendo as aplicações das terapias com células-tronco em doenças neurodegenerativas específicas, focando na doença de Parkinson, doença de Huntington, doença de Alzheimer, esclerose lateral amiotrófica e atrofia espinomuscular. Com um maior entendimento da capacidade das tecnologias em células-tronco, há uma esperança pública crescente de que estas terapias continuarão a progredir em tratamentos realistas e eficazes para tais doenças.

Comentário: Atualmente em Neurologia, as terapias com células-tronco ainda são vistas com desconfiança, e sua eficácia vem sendo testada principalmente em doenças neurológicas imunomediadas. Nas doenças neurodegenerativas, uma possível terapia celular baseada em neurogênese tem sido tentada em várias doenças, com resultados pouco práticos até o momento. Como exemplo, na doença de Parkinson o uso de células-tronco teve grande impulso no início da década passada, mas o alto número de complicações fez os ensaios clínicos quase sumirem. A revisão não é específica de Neurologia Cognitiva, mas é adequada para entendermos alguns aspectos básicos da terapia.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21905078

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Condições Neurológicas Tratáveis Mal Diagnosticadas como Doença de Creutzfeldt-Jakob

(“Treatable Neurological Disorders Misdiagnosed as Creutzfeldt-Jakob Disease”)

Chitravas N, Jung RS, Kofskey DM, Blevins JE, Gambetti P, Leigh J, Cohen ML

Ann Neurol 2011;70:437-444

 

Abstract: OBJETIVO: A conscientização elevada da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) entre médicos e o público leigo levou a sua freqüente consideração no diagnóstico diferencial dos pacientes com demência rapidamente progressiva (DRP). Nossa finalidade foi determinar quais doenças tratáveis são mais comumente diagnosticadas de modo errado como DCJ. MÉTODOS: Nós fizemos uma revisão clínica e neuropatológica de casos de necrópsia de encéfalos sem doença priônica encaminhados ao US National Príon Disease Pathology Surveillance Center (um centro nacional americano de vigilância de doenças priônicas) na Case Western Reserve University de Janeiro2006 aDezembro 2009. RESULTADOS: De 1106 encéfalos necropsiados, 352 (32%) foram negativos para doença priônica, 304 dos quais tinham material disponível para avaliação histopatológica. Doença de Alzheimer (n=154) e demência vascular (n=36) foram os 2 diagnósticos mais freqüentes. Setenta e um pacientes tinham doenças potencialmente tratáveis. Achados clínicos incluíram demência (42 casos), sinais piramidais (n=20), cerebelares (n=14) ou extrapiramidais (n=12), mioclonias (n=12), distúrbios visuais (n=9) e mutismo acinético (n=5); um EEG típico ocorreu apenas em um caso. Diagnósticos neuropatológicos incluíram distúrbios imunomediados (n=26), neoplasias (n=25, mais freqüentemente linfoma), infecções (n=14) e distúrbios metabólicos (n=6). INTERPRETAÇÃO: Em pacientes com DRP, distúrbios tratáveis deveriam ser considerados e excluídos antes de se diagnosticar DCJ. Pacientes mal diagnosticados frequentemente não preenchiam os critérios da OMS. DRP com proteína 14-3-3 positiva não deve ser considerada como suficiente pata o diagnóstico de DCJ. A aderência aos critérios revisados de DCJ, que incluem RM distinta com características de doença priônica, provavelmente irão melhorar a acurácia diagnóstica.

Comentário: As DRP são condições raras, de fato, mas sempre que um neurologista se depara com uma é motivo de muita preocupação, pela dificuldade de investigação e pelo prognóstico trágico. Este artigo vem ressaltar que DRP não é sinônimo de doença priônica, e que o paciente deve ser extensamente investigado para potenciais etiologias tratáveis, antes de receber o carimbo de DCJ e sofrer o descrédito de uma doença fatal. Chamo atenção para 2 condições vistas no artigo: os linfomas de sistema nervoso central, que podem ter formas de difícil diagnóstico, e a encefalopatia de Wernicke, visto que a população idosa tem uma tendência natural às hipovitaminoses por suas comorbidades – estas condições podem simular um caso de DCJ, e sua confirmação diagnóstica é muito difícil.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21674591

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Doença de Alzheimer Rapidamente Progressiva

(“Rapidly Progressive Alzheimer Disease”)

Schmidt C, Wolff M, Weitz M, Bartlau T, Korth C, Zerr I.

Arch Neurol 2011;68(9):1124-1130

 

Abstract: Taxas diferentes de prorgessão têm sido observadas entre pacientes com doença de Alzheimer (DA). Fatores de risco que aceleram a degeneração tem sido identificados e alguns estão sendo discutidos, como genética, comorbidades e o surgimento precoce de sinais motores na DA. Formas progressivas da DA com rápido declínio cognitivo e duração da doenças de apenas poucos anos têm sido descritas. Esta curta revisão visa promover uma visão geral do conhecimento atual da DA rapidamente progressiva (DArp). Além disso, nós sugerimos que o rapidamente, neste contexto, deva ser definido como uma queda de 6 pontos no Mini-Exame do Estado Mental (MEEM) por ano.

Comentário: Na prática clínica, os casos de demência rapidamente progressiva raramente são considerados como decorrentes de DA, até mesmo porque temos a concepção clássica de que DA é uma doença, por definição, insidiosa, com vários anos de duração. Este artigo mostra uma subforma de DA, caracterizada pela queda de muitos pontos no MEEM por ano (o artigo define como queda de 6 pontos/ano no MEEM), surgimento precoce de alterações motoras (principalmente sinais extrapiramidais) e sobrevida de menos de 2 anos, chamada de DA rapidamente progressiva. É nítido que ainda se tem pouca informação deste fenótipo da doença, mas aparenta ter uma fisiopatologia semelhante à DA clássica.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21911694

 

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