Atualizações em Cefaleias – Set/11

Publicado: 25/09/2011 em Cefaleias
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Eficácia e tolerabilidade da pregabalina como tratamento preventivo para migrânea: um estudo prospectivo de 3 meses

(“Efficacy and tolerability of pregabalin as preventive treatment for migraine: a 3-month follow-up study”)

Pizzolatto R, Villani V, Prosperini L, Ciuffoli A, Sette G

J Headache Pain. 2011 Oct;12(5):521-5. Epub 2011 Apr 9
 
Abstract: O artigo em questão relembra a importância do uso dos anticonvulsivantes como agentes profiláticos no tratamento da migrânea, patologia na neurologia com importante prevalência, incidência, impacto social e econômico. Destaque recente para o uso da pregabalina, o objetivo do trabalho foi avaliar a eficácia e tolerância desta droga em indivíduos com migrânea, sendo utilizados doses que variaram de 75 a 300mg, e os indivíduos incluídos foram acompanhandos durante 6 meses.
Comentário: Embora o trabalho em questão seja prospectivo, observacional, com uma amostra de 47 pacientes, pode-se observar uma redução significativa na freqüência de crises por mês, com 26% dos pacientes apresentando redução de mais de 50% na freqüência das crises/mês e 34% com redução entre 25 e 49% na freqüência das crises mensais. A porcentagem de redução na freqüência das crises foi de 33%, tanto em migranosos episódicos, como em migranosos crônicos. Os indivíduos que utilizaram dose de 150mg alcançaram mais rapidamente redução na freqüência das crises. Com dose inferior, o mesmo efeito foi alcançado em 3 meses. A vantagem da pregabalina em relação aos outros anticonvulsivantes já utilizados no tratamento da migrânea, seria menos efeitos colaterais cardiovasculares e principalmente, menor chance de transtorno do humor e ansiedade, como vemos com o uso do topiramato; como já mencionado, embora o trabalho não seja adequado para avaliação de drogas, a pregabalina surge como provável medicamento eficaz e seguro no tratamento da migrânea episódica e crônica.
 
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Análise de Leucócitos na Cefaleia por Excesso de Medicamentos, Migrânea Crônica e Migrânea Episódica
 
(“Analysis of Leukocytes in Medication-Overuse Headache,Chronic Migraine, and Episodic Migraine”)
  
Forcelini CM, Dantas DCM, Luz C, Santin R, Stein AT, Barros HMT, Barea LM
 

Headache. 2011 Sep;51(8):1228-38

 

Abstract: INTRODUÇÃO: Uma vez que a migrânea tem apresentado relação com distúrbios imunológicos e o papel do sistema imunológico que levaria à evolução da Migrânea para cefaléias crônicas não tem papel ainda definido, o trabalho objetivou análise de células imunológicas no sangue periférico de indivíduos com Cefaléia por excesso de Medicamentos, Migrânea Crônica, Migrânea sem Aura e controles. MÉTODOS: Estudo “cross-sectional”, com n de 68 indivíduos, com sangue obtido pela manhã durante período ictal e em períodos interictais. RESULTADOS: Os resultados mostraram um número mais elevado de linfócitos em indivíduos com Cefaléia por Excesso de Medicamentos quando comparados à Migrânea Episódica. Todos os pacientes inclusos estavam sem uso de medicamentos, exceto por paracetamol(que parece não ter influencia imunológica em doses terapêuticas), não tinham outras patologias e não eram tabagistas.

Comentário: Pacientes com Cefaléia por Excesso de Medicamentos, apresentaram níveis mais elevados de linfócitos, comparados com pacientes migranosos episódicos, na fase ictal. Em estudo recente, foi demonstrado que linfobastos de migranosos apresnetavam níveis mais elevados de serotonina, quando comparados à grupos controles, assim como a expressão aumentada de alguns genes, como o alfa-foldrin, uma proteína do citoesqueleto encontrada abundantemente no córtex cerebral e relacionada à Depressão Alastrante Cortical. Hipóteses relacionadas aos achados de maior numero de linfócitos nos inividuos com CEM (cefaléia por excesso de medicamentos): estado pró-inflamatório? resposta não-específica à dor crônica? Viés? Limitações do estudo: desenho do estudo, n, parâmetros utilizados para avaliação do sistema imunológico. Conclui-se que os achados encontrados no trabalho, podem representar um estado inflamatório crônico exacerbado, em pacientes com cefaléia crônica, particularmente em indivíduos com Cefaléia por Excesso de Medicamentos.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21649652

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Cefaleia em Facadas Primária

(“Primary Stabbing “Ice-Pick” Headache”)

Mukharesh LO, Jan MM

Pediatr Neurol. 2011 Oct;45(4):268-70
 
Abstract: Cefaleia em facadas primária é raramente descrita em crianças. É caracterisada por dor aguda “como um golpe”, transitória, que ocorre em uma área localizada do escalpo por segundos. Cinco crianças foram diagnosticadas de acordo com a IHC-2. A idade do diagnóstico variou entre 6-16 anos, com sintomas durando por 3 a 12 meses antes da avaliação. Todas as crianças apresentaram cefaleias com recorrência diária a mensal que eram muito curtas, durando segundos. A cefaleia era orbital em uma criança, temporal em uma criança e occipital em 3 crianças. Três crianças manifestaram outros tipos de cefaleia associadas à migrânea e 2 tinham história familiar positiva para migrânea. Amitriptilina foi prescrita a 2 pacientes pela frequência e intensidade da cefaleia. Os sintomas gradualmente reduziram em todos os pacientes durante o seguimento de 3 meses a 5 anos. Cefaleia em facadas primária pode ocasionalmente ocorrer em crianças com características diferentes das encontradas em adultos. A cefaleia é menos frequente e geralmente occipital em localização. Seus sintomas respondem bem à amitriptilina. Entretanto, estudos pediátricos prospectivos maiores são necessários para descrever mais sobre esta síndrome.
Comentário: Relato de caso mostra 5 casos descritos em crianças; artigo interessante por rever as características desta cefaléia, que está entre as de curta duração, relativamente comum entre adultos, com prevalência acima de 35%, entre 18 e 65 anos. Em crianças, este tipo de cefaléia apresenta prevalência de 3-5% e geralmente surgem por volta dos 10 anos de idade. Não se sabe se as características seriam idênticas às encontradas nos adultos. O trabalho mostra as características desta cefaléia nas 5 crianças estudadas. Estudos prospectivos são necessários para melhor definição da mesma nesta faixa etária da população.
 
comentários
  1. Luis disse:

    No congresso de Cefaléia não foi abordado o uso da pregabalina,,, entretanto falou-se muito em toxina botulínica,,,

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