Atualizações em Neuroimunologia – Nov/11

Publicado: 05/12/2011 em Neuroimunologia
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Metanálise sobre efeito do sexo do paciente na Síndrome Clínica Isolada

(“The effect of gender in clinically isolated syndrome (CIS): a meta-analysis”)

 

Mult Scler. 2011 Oct 12

Abstract: Histórico e Objetivos: A Síndrome Clínica Isolada (SCI) com desmielinização é a forma de apresentação mais comum para a maior parte dos pacientes que desenvolverão Esclerose Múltipla (EM). Analisando a literatura científica, não há muitos artigos explorando o efeito do sexo do paciente na SCI ou na sua transformação em EM. Métodos: Dados originados de estudos observacionais sobre SCI foram usados. No total, 33 estudos foram usados contabilizando 4732 pacientes. Resultados: O Risco Relativo (RR) em mulheres comparado com homens foi de 2,12 (95% CI, 1.94 – 2.32). O RR de desenvolver EM após CIS foi de 1.20 (95% CI 0.98-1.46) comparado com homens.

Comentário: Esse artigo é uma metanálise que responde a pergunta se o sexo do paciente é um risco para SCI e se também é um risco para o desenvolvimento de EM após SCI. A EM é mais comum em mulheres, com um RR de 2,0. Interessantemente, esse artigo identifica um RR de 2,12 para o sexo feminino na SCI, muito próximo do RR de EM. Chamo a atenção da Figura 1 desse artigo, onde é mostrado o RR em relação ao sexo do paciente em cada estudo usado nesse artigo; exceto para um desses estudos, todos os outros identificam um RR maior para mulheres do que para homens. Se a forma de apresentação de SCI for de mielite, o RR para o sexo feminino é de 2,96 (1,72 – 5,10); já se for como neurite óptica, o RR para o sexo feminino é de 2.66 (2.09 – 3.39). Outra conclusão interessante é que apesar do RR para o sexo feminino ser de 2,0 na SCI, o RR em relação ao sexo na transformação de SCI  em EM mostrou ser somente de 1,2 (0.98-1.46).

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21993498

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Um estudo clínico randomizado sobre terapia para Esclerose Múltipla usando células T autólogas: análise de subgrupos e implicações para desenho de estudo

(“A randomized clinical trial of autologous T-cell therapy in multiple sclerosis: subset analysis and implications for trial design”)

 

Mult Scler. 2011 Nov 7

Abstract: Histórico: Tovaxin é uma imunoterapia que usa células T autólogas e está sendo proposta para o tratamento da Esclerose Múltipla (EM). O produto consiste de células T reativas a peptídeos da mielina que foram expandidas in vitro. Métodos: Um estudo placebo controlado Fase 2B (TERMS) foi conduzido em 150 pacientes no intuito de garantir a eficácia e segurança na EM recorrente – remitente e na Síndrome Clínica Isolada. Resultados: Tovaxin possui um bom perfil de segurança. Apesar de nenhum benefício estatisticamente significante ou radiológico ter sido atingido no grupo de pacientes onde Tovaxin foi administrado com a intenção de tratar, uma análise prospectiva analisando o grupo de pacientes com doença mais ativa favoreceu o Tovaxin em relação a taxa anual de surtos (TAS) e progressão de incapacidade. Também foi possível analisar o efeito do uso prévio de medicações-modificadoras-de-doença no subgrupo de pacientes onde a administração do Tovaxin foi com a intenção de tratar. Tal efeito pode ter causado a taxa anual de surtos inesperadamente baixa no grupo placebo.  Os pacientes virgens de tratamento nos quais o Tovaxin foi administrado apresentaram uma TAS menor do que a do grupo placebo, particularmente aqueles com uma atividade de base da EM alta (TAS > 1). No entanto, nenhum benefício clínico foi visto em relação a medidas de Ressonância Magnética que pudesse ser relacionado ao Tovaxin. 

Comentário: Muitas vezes os pacientes perguntam a nós médicos no consultório se há pesquisas em relação a medicações para a EM. Esse artigo é não só uma resposta a essa pergunta, mas traz uma diferente proposta para a terapia da EM, se comparado com os atuais medicamentos no mercado. Tovaxin é uma medicação individualizada de células T do próprio paciente. Os pacientes indicados para essa terapia são submetidos a um screening para verificar se suas células T são reativas contra alguns peptídeos de mielina pré-selecionados. Essas células são então expandidas in vitro e posteriormente irradiadas com o objetivo de atenuá-las, além de esterelizar esse pool de células. Os resultados mostram que TAS foi menor no grupo tratado com Tovaxin em relação ao placebo, mas não houve diferença em relação a novas lesões ou atrofia no cérebro usando métodos comparativos de Ressonância Magnética. É importante lembrar que apesar de esse artigo mostrar uma proposta de medicamento que atua de maneira diferente do que os do mercado, ele ainda não foi comparado com as terapias acessíveis, desse modo ainda não sabemos se essa medicação traz algum benefício em relação às terapias já existentes.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22065170

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