Atualizações em Neuroimunologia – Dez/11

Publicado: 27/12/2011 em Neuroimunologia
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Regulatory T cells in CNS injury: the simple, the complex and the confused

(“Células Treg em situações de dano ao Sistema Nervoso Central:  o simples, o complexo e o confuso”)

 

Trends Mol Med. 2011 Oct;17(10):541-7

Abstract: Células T regulatórias CD4+CD25+Foxp3+ T cells (Tregs) são atualmente o foco da atenção em várias pesquisas que investigam o papel dessas células no controle das respostas imunes. Apesar do fato do conhecimento sobre essas células estar crescendo, muitos espaços em branco precisam ser preenchidos ao se entender a função das células  Treg em condições normais e em condições patológicas. Estudos explicitam os papeis das células Treg em câncer, doenças autoimunes, inclusive na encefalite autoimune experimental, e esse conhecimento é geralmente aplicado a outras patologias, inclusive as condições neurodegenerativas. No entanto, diferenças entre imunidade em condições neurodegenerativas, câncer e autoimunidade são geralmente negligenciadas. Talvez por essa razão, manipulação de células Treg em situações degenerativas do  sistema nervoso central geralmente levam a resultados não esperados. Nesse trabalho, são exploradas as diferenças entre a resposta imune em situações de degeneração versus câncer e autoimunidade e como essas diferenças dificultam o entendimento do papel da células Treg em situações neurodegenerativas.

Comentário: Esse artigo mostra que apesar de estarmos avançando no entendimento da relação imunologia-neurologia, ainda é necessário enfrentarmos várias perguntas. Outro enfoque desse trabalho é alertar que o que é aprendido sobre o sistema imune em uma doença como o câncer ou doenças autoimunes não pode ser automaticamente extrapolado para o indivíduo saudável ou para outras condições de injúria como AVC ou trauma. Um ponto forte desse trabalho é a linguagem acessível e explicativa com figuras, tabelas que sumarizam modelos de injúria e glossário.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21741881

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Resposta à imunoterapia na síndrome CLIPPERS

(“Response to immunotherapy in CLIPPERS syndrome”)

J Neurol. 2011 Nov;258(11):2090-2

Comentário: Essa é uma carta ao editor que comenta sobre uma novíssima entidade: a Inflamação Crônica Linfocítica com Captação  Perivascular de contraste na Ponte Responsível a Corticóide, mais conhecida como CLIPPERS (Chronic Lymphocytic Inflammation with Pontine Perivascular Enhancement Responsive to Steroids). Devido ao pequeno número de casos publicados e pelo fasto de ser muito recentemente descrita, ela é uma doença desconhecida de muitos neurologistas. Esse relato de caso além de exemplificar as características dessa doença, comenta sobre a terapêutica mais utilizada – os corticoesteróides- , e possíveis alternativas a esse tratamento.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21553269

comentários
  1. Jean Pierre disse:

    Na minha simples opinião as Tregs têm pouca ou nenhuma função nos órgãos alvo. Isso porque as lesões possuem grande quantidade de IL-1 e principalmente IL-6 capazes de desligar o promotor de Foxp3 e assim reduzir sua atividade. Acho que as Tregs são importantes nos órgãos linfóides secundários, e assim reduzindo a expansão de clones auto-reativos. Logo, terapias que visem aumentar a expansão das mesmas na periferia são interessantes, como esta sendo observado para células tronco mesenquimais. Nos casos de AVC, muito difícil, uma vez que essas lesões dependem da imunidade inata. Pouco ainda se sabe. Acho que nesse caso as Tregs estão presentes pela simples quebra da BBB. só minha opinião.

    • neuropil disse:

      [Resposta de Érika Horta]
      Creio que a presença de células Treg no sistema nervoso central (SNC) após injúria não é somente um paraefeito e, sim, sua presença pode ser funcional. Obviamente, em injúrias agudas no SNC, em um primeiro momento, o sistema imune inato é essencial uma vez que ele é o mais rápido, uma vez que é a linha de defesa que já está pronta. Mas com o tempo, uma vez que nem todos os antígenos serão retirados, eles serão apresentados a células T que podem ser reativas a esses autoantígenos, uma vez que o cérebro é um órgão imune privilegiado. Assim, nem todos os seus autoantígenos estiveram presentes em concentração suficiente para induzir autotolerância no desenvolvimento das células T. Assim, a presença de Células Tregs no parênquima cerebral, apesar delas não atuarem nas células do parênquima cerebral, pode ser uma ferramenta para diminuir a probabilidade de surgir doenças autoimunes após injúria cerebral, uma vez que elas podem impedir a estimulação de células Tnaive (mesmo as não cognatas) , assim como a proliferação de células T (inclusive as não cognatas) e diferenciação de células dendríticas.

      Outra questão que o artigo ´Regulatory T cells in the CNS injury: the simple, the complex and the confuse´ trata é justamente que a lição aprendida em uma doença, por exemplo, uma doença neurodegenerativa, não pode ser traduzida automaticamente para outro tipo de injúria ao SNC, como um AVC.

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