Atualizações em Neurorradiologia Intervencionista – Jan/12

Publicado: 20/01/2012 em Neurorradiologia Intervencionista
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Complicações relacionadas à idade após o tratamento endovascular de aneurismas cerebrais não-rotos

(“Age-Related Complications Following Endovascular Treatment of Unruptured Intracranial Aneurysms“)

AJNR Am J Neuroradiol. 2012 Jan 12

Abstract: Introdução/Objetivos: Os motivos que nos levaram a fazer este artigo foi o desejo de ver se os pacientes idosos saiam tão bem quanto os não idosos após o tratamento endovascular dos aneurismas cerebrais. Fazendo esta pesquisa, poderiamos estratificar melhor qual o tratamento mais adequado para cada paciente com aneurisma. O objetivo deste estudo foi determinar se a incidencia de complicações dos procedimentos foi maior entre os idosos, definidos como pacientes acima de 65 anos de idade, comparados aos pacientes não idosos submetidos ao tratamento endovascular eletivo para os aneurismas cerebrais. Materiais e métodos: Uma revisão retrospectiva foi realizada em pacientes submetidos ao tratamento endovascular eletivo para aneurisma cerebral entre 2000 e 2010 em uma única instituição. “Complicações menores’’ foram definidas como aquelas que resultaram em minima ou nenhuma perda funcional que se resolveu antes da alta. ‘”Complicações maiores’’ foram complicações que resultaram em perda funcional ou que necessitaram de terapia invasiva subsequente. Complicações maiores foram adicionalmente  estratificadas entre aquelas com ou sem deficit neurológico, definido como um mRS score >3. Testes T e χ(2) foram utilizados para comparar os grupos. Resultados: Trezentos e cinquenta e cinco pacientes foram submetidos a 394 procedimentos endovasculares para tratar 75 recorrências de aneurismas e 319 aneurismas sem tratamento. Cento e oito (30%) eram idosos. Não houve diferença significativa da taxa de complicações entre os idosos comparada aos não idosos (33% versus 26%, respectivamente; P = 0,18). As complicações maiores foram significativamente mais prevalentes entre os idosos que entre os não idosos (17% versus 7.4%, respectivamente, P = 0,004). As complicações maiores com deficit neurológico foram também sigificativamente mais prevalentes entre os idosos que entre os não idosos (8,2% versus 1,8%, respectivamente, P = 0,004). Conclusões: As complicações funcionais maiores foram marcadamente mais comuns entre a população idosa comparada à não idosa.

Comentário: Os autores não encontraram diferenças significativas entre as taxas de complicações gerais entre os grupos, mas uma maior prevalência de complicações maiores entre os pacientes acima de 65 anos, principalmente no que concerne a ocorrência de deficit neurológico com perda funcional. A taxa de mortalidade observada entre os idosos tratados foi de 0,5%. Os autores discutem os resultados do estudo e visando explicar os resultados encontrados são levantadas as hipóteses de que a população idosa apresenta menor reserva cerebrovascular, maior ocorrência de tortuosidades vasculares, de ateromatose de arco aortico e de ateromatose intracraniana, fatores que elevariam o risco de complicações embólicas nesta população. Os autores apontam 3 limitações ao estudo: o desenho retrospectivo, o cut-off de 65 anos de idade (que foi utilizado visando comparar o grupo aos dos grandes trials prévios) e o fato de que a população idosa deste estudo apresentou um tamanho aneurismático médio superior ao da população não idosa. Concluindo, os resultados apontam um maior risco entre os idosos submetidos ao tratamento endovascular eletivo para os aneurismas cerebrais, o que nos ajuda na tomada de decisão quanto a indicação deste tratamento para certos pacientes. Entretanto, pelas limitações do estudo estes resultados não podem ser considerados definitivos.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22241386

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Fístulas arteriovenosas durais intracranianas: classificação, achados de imagem e tratamento

(“Intracranial Dural Arteriovenous Fistulas: Classification, Imaging Findings and Treatment“)

Gandhi D, Chen J, Pearl M, Huang J, Gemmete JJ, Kathuria S

AJNR Am J Neuroradiol. 2012 Jan 12

Abstract: FAVD’s intracranianas são shunts durais patológicos e correspondem por 10-15% de todas as malformações arteriovenosas intracranianas. Estas malformações têm seu suprimento arterial primariamente originado de vasos meníngeos, e sua drenagem venosa ocorre tanto para os seios venosos durais como para veias corticais. FAVDs são associadas a trombose de seios venosos, hipertensão venosa, craniotomia prévia, e trauma, embora muitas lesões sejam idiopáticas. O diagnostico é dependente de um alto grau de suspeição clínica e de exames de imagem de alta resolução. Técnicas de imagem utilizando CT e MR ajudam no diagnostico, mas a angiografia convencional continua sendo o método mais acurado para a completa caracterização e classificação das FAVDs. O padrão da drenagem venosa observada nas imagens vasculares dinâmicas determinam o tipo de FAVD e correlacionam com a gravidade dos sintomas e com risco de hemorragia.

Comentários: Esta é uma ótima oportunidade para revisar sobre as fistulas durais, uma patologia relativamente rara que é muito pouco conhecida pelos neurologistas. É importante que a possibilidade deste diagnostico esteja viva no raciocínio pragmático do especialista uma vez que esta patologia pode se apresentar de maneiras diversas associada a achados de neuroimagem sutis ou até mesmo ausentes. Um artigo claro, conciso, que foi publicado por uma das principais revistas de neuroradiologia da atualidade.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22241393

 

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