Tremor de cabeça na posição supina: uma compração clinica de pacientes com tremor essencial e torcicolo espasmódico

(“Supine head tremor: a clinical comparison of essential tremor and spasmodic torticollis patients”)

Agnew A, Frucht SJ, Louis ED

J Neurol Neurosurg Psychiatry. 2012 Feb;83(2):179-81

Abstract: Introdução: Tremor essencial (TE) está entre os mais erroneamente diagnosticadas doenças neurológicas, e o diagnóstico excessivo é especialmente comum. Até 30 a 50% dos supostos casos de TE têm outros diagnósticos, com predominío da distonia entre estes. Portanto, o reconhecimento de diferenças na fenomenologia do tremor tem um valor diagnóstico potencial para os médicos praticantes. Há uma consenso prático de que o tremor de cabeça em TE é postural ao invés de repouso, uma característica que poderia auxiliar no diagnóstico, mesmo que ainda não haja dados publicados. Métodos: Neste estudo transversal, pacientes com TE e torcicolo espasmódico (ST), (3:1 correspondência), que tinham tremor de cabeça, enquanto sentados, foram comparadas as prevalências na posição supina (ie, de repouso). Resultados: Houve 60 casos TE e 19 casos com ST com tremor de cabeça enquanto sentados. Quando deitados, tremor de cabeça, persistiu em apenas 5 / 60 (8,3%) TE contra 13/19 (68,4%) casos ST (p <0,001), indicando que o tremor de cabeça no TE é mais provável para resolver na posição supina do que o tremor de cabeça de ST. Tremor de cabeça deitado, quando decorrente de TE, não parecia preferencialmente ocorrem em pacientes com doença mais grave (p> 0,05). Conclusão: Estes resultados indicam que há alguma validade para o consenso prático de que o tremor de cabeça no TE é um tremor postural que se dissipa quando o paciente encontra-se deitado, por outro lado, no ST, o tremor de cabeça com mais freqüência persiste, quando deitado. Em um contexto clínico, estes resultados têm potenciais implicações no diagnosticode tremor de cabeça duvidoso. Os médicos devem considerar pedir a seus pacientes se deitarem para avaliar se o tremor de cabeça se resolve.

Comentário: Artigo muito interessante visto sua simplicidade no seu desenho e realização com um grande potencial na utilização de seus dados na prática clínica. Realmente ele considera que o tremor de cabeça em repouso, ou melhor, na posição supina, relaxado, por 2 minutos, pode auxiliar no diagnóstico de pacientes com tremor de cabeça de etiologia duvidosa. Porém, gostaria que fosse um pouco mais elucidado sobre os truques sensoriais, ou gestos antagonistas, visto que ele enfatiza como possível característica diagnóstica de torcicolo espasmódico, porém o recostar da cabeça pode atuar como truque sensorial para alguns casos, reduzindo ou cessando seu tremor e por fim gerando algum viés na prova diagnóstica. Enfim, uma boa anamnese e um bom exame físico agregado destas orientações pode realmente tirar a dúvida, esclarecer sua conduta e propiciar melhor tratamento do paciente. 

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22056962

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Alucinações visuais no diagnóstico diferencial de parkinsonismo

(“Visual hallucinations in the differential diagnosis of parkinsonism”)

Bertram K, Williams DR

J Neurol Neurosurg Psychiatry. 2012 Jan 6

Abstract: Alucinações visuais (VH) ocorrem comumente na doença de Parkinson (PD) e demência com corpos de Lewy (DCL), mas são relatadas com muito menos freqüência em outras causas neurodegenerativas de parkinsonismo, como a paralisia supranuclear progressiva, atrofia de múltiplos sistemas e síndrome de degeneração corticobasal. Este sinal clínico pode ser útil quando se considera o diagnóstico diferencial de pacientes com parkinsonismo. A observação de que VH podem ser específica para a patologia do corpo de Lewy provavelmente reflete uma maior vulnerabilidade dos sistemas visuais à neurodegeneração da PD e DLB em comparação com outras doenças. Diferenças topográficas na patologia são, provavelmente, o principal fator na produção de VH em doenças com corpos de Lewy, ao invés de alterações neurofisiológicas que são específicas ao acúmulo de proteína alfa-sinucleína. VH se correlacionam com patologia no sistema límbico e mais especificamente a amígdala, que é freqüentemente afetada na DP e DLB, mas relativamente preservados em outras formas de parkinsonismo, muitas vezes diagnosticados como DP. Nesta revisão, as frequências publicadas de VH nestas diferentes condições são comparadas para colocar em questão como a VH pode servir como uma pista clínica para um patologia de corpos de Lewy subjacente.

Comentário: Importante para compreender a correlação clinicofisiopatológica de causas neurodegenerativas que cursam com parkinsonismo e alucinações visuais. A ideia de que as alucinações visuais se correlacionam melhor com PD e DCL se deve ao fato de que estas alfa-sinucleinopatias possuem maior predisposição para acometimento do sistema límbico e particularmente a amígdala, regiões ligadas diretamente aos sintomas visuais; e não pensar que o acúmulo per se de alfa-sinucleina é o mecanismo das alucinações visuais. Sendo assim, como muitas vezes a clínica das diversas etilogias de parkinsonismo ficam sobrepostas em sua fase inicial, vale ressaltar que a alucinação visual entraria como mais um bom dado para auxiliar na definição diagnóstica.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22228724

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Síndromes da neurodegeneração com acúmulo cerebral de ferro (NBIA): uma atualização na apresentação clínica, fundamentos histológicos e genéticos e considerações de tratamento

(“Syndromes of neurodegeneration with brain iron accumulation (NBIA): An update on clinical presentations, histological and genetic underpinnings, and treatment considerations”)

Schneider SA, Hardy J, Bhatia KP

Mov Disord. 2012 Jan;27(1):42-53

Abstract: Nos últimos anos, a compreensão do síndromes de neurodegeneração com acúmulo de ferro cerebral (NBIA) tem crescido consideravelmente. Além das principais síndromes de neurodegeneração associada pantotenato kinase (PKAN, NBIA1) e neurodegeneração associada a PLA2G6 (Plan, NBIA2), várias outras causas genéticas têm sido identificadas. O espectro clínico já reconhecido ampliou, apresentações relacionadas a faixa etária foram reconhecidas, e estamos nos tornando conscientes da sobreposição entre as desordens de NBIA diferentes, bem como com outras doenças. Autópsia de casos geneticamente confirmados tem demonstrado corpos de Lewy e/ou emaranhados em alguns subtipos, fazendo a ligação entre distúrbios neurodegenerativos mais comuns, como a doença de Parkinson. Genes NBIA mapeiam vias correlacionadas, e seu entendimento é importante uma vez que nos movemos em direção a terapias mecanicistas. Nosso objetivo nesta revisão é fornecer uma visão geral, de não apenas dos desenvolvimentos históricos, aspectos clínicos, de investigação resultados, e resultados terapêuticos, mas também das bases genéticas e moleculares das síndromes NBIA.

Comentário: Ótima referência para pesquisa de casos incomuns de distonia-parkinsonismo no nosso dia-a-dia.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22031173

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Abordagem farmacológica para o tratamento da doença de Huntington

(“Pharmacologic approaches to the treatment of Huntington’s disease”)

Venuto CS, McGarry A, Ma Q, Kieburtz K

Mov Disord. 2012 Jan;27(1):31-41

Abstract: A doença de Huntington (HD) é uma doença neurodegenerativa progressiva, herdada, caracterizada por coréia, distúrbios cognitivo e comportamental. Apesar dos avanços no diagnóstico e melhor compreensão da HD, o tratamento continua sendo difícil devido a sintomas desafiadores e uma escassez de intervenções terapêuticas aprovadas. Estratégias não farmacológicas e farmacológicas têm sido avaliadas, sendo que destas, mais de 80 agentes de várias classes têm sido investigados em ensaios clínicos ou já examinados em relatos de casos. O tratamento sintomático, entretanto, é de modo geral, confinado à exposição a agentes antidopaminérgicos para disfunção motora e antidepressivos para transtornos de humor, enquanto que o tratamento para disfunção cognitiva permanece carencial. Vários mecanismos diferentes tem sido alvos de ensaios clinicos para modificar os sintomas e progressão da doença. Este artigo analisa alguuns dos tratamentos farmacológicos mais comuns utilizados para HD, discute dados sobre os agentes de qualidade inferior que foram testados, e inquéritos de tratamentos sob investigação.

Comentário: Leitores interessados em um pente fino rápido nos ensaios, e respectivmente medicamentos com evidências definidas e em investigação com doença de Huntington, devem ler este artigo. Muito bom.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21997232

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