Atualizações em Neuroimunologia – Fev/12

Publicado: 27/02/2012 em Neuroimunologia
Tags:, , ,

Doença de Erdheim- Chester

(“Erdheim–Chester Disease”)

Abstract: Razão da Revisão: A doença de Erdheim–Chester (DEC) é uma rara forma de histiocitose não-Langerhans primeiramente descrita em 1930 que apresenta amplo espectro de manifestações clínicas. O número de casos aumentou drasticamente nos últimos 10 anos devido a um melhor reconhecimento dessa doença. A evolução natural é variável, mas geralmente o prognóstico é reservado. Nesta revisão, descrevemos as principais características clínicas, radiológicas, prognóstico e terapêutica dessa doença-órfã. Achados Recentes: Há evidência de eficácia com o tratamento de IFNa,  sendo reportado essa terapêutica como o maior preditor de sobrevivência entre os pacientes com DEC. Tratamentos alternativos necessitam ser definidos. Estudos recentes têm reforçado que o envolvimento do Sistema Nervoso Central é um preditor de morte. A patofisiologia é melhor entendida através de uma complexa interação de citocinas que indicam uma desregulação do sistema imune com perfil TH1. Sumário: A DEC, apesar de ser uma doença- órfã rara, vem sendo mais diagnosticada devido a um melhor entendimento de outras histiocitoses. O tratamento de primeira-linha é o IFNa. Recentemente descrevemos uma assinatura de citocinas únicas que talvez possa trazer maior entendimento sobre a patogênese da DEC, assim como prover novas técnicas diagnósticas e uma terapia mais adequada.

Comentário: Essa é uma revisão sobre a DEC, feita no Hospital de Salpêtrière, grupo que têm a maior prática com essa doença. O artigo mostra que ela pode se manifestar com diferentes acometimentos como: xantelasmas, exoftalmo, doença renal, infiltração óssea, cardiopatia, pneumopatia e, como maior desafio, acometimento neurológico. Esse último é o maior definidor de morbidade, mortalidade e refratariedade ao tratamento. É importante frisar que os pacientes não necessitam ter toda a constelação de manifestações clínicas, inclusive, é comum o paciente ter um ou principalmente uma das queixas. De pontos positivos sobre o artigo, temos que é uma rápida leitura de uma doença que é pouco lembrada pelo neurologista, com boas figuras e pontua que o diagnóstico é necessariamente histológico. Por outro lado, deixa a desejar em relação ao diagnóstico diferencial e patofisiologia, além de ser tendenciosa ao colocar o IFNa como primeira linha de tratamento, principalmente no acometimento neurológico. Para o neurologista, o diagnóstico diferencial é amplo, mas os maiores mimetizadores seriam a Esclerose Múltipla, metástases cerebrais e até infecções. O tratamento no caso de acometimento neurológico, apesar de ter várias possibilidades na literatura científica (Corticoesteróides, alendronato, micofenolato de mofetil, azatioprina, imatinibe, ciclosporina, Ciclofosfamida, etoposídeo, metotrexate, radioterapia, transplante autólogo de Células Tronco Hematopoiéticas, entre outros), não mostra melhora em comorbidade ou mortalidade, sendo muitas vezes acompanhado de recidiva. Apesar da raridade da doença, há artigo brasileiro sobre o tema (relato de caso).

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22089098

——————————————————————————————————————————————————————

Estado atual da imunomodulação e estratégias terapêuticas imunomediadas para Esclerose Múltipla

(“Current Status of the Immunomodulation and Immunomediated Therapeutic Strategies for Multiple Sclerosis”)

Chen SJ, Wang YL, Fan HC, Lo WT, Wang CC, Sytwu HK

Clin Dev Immunol.2012;2012:97078

Abstract: A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença autoimune do Sistema Nervoso Central na qual Células T CD4+  têm papel principal em uma cascada imune que leva à inflamação crônica. Há alguns anos, células Th1 (células T CD4+ produtoras de interferon-γ) estimuladas por interleucina 12 (IL12) eram consideradas como causadoras de EM e da Encefalomielite Autoimune Experimental (EAE), um modelo animal de EM. Atualmente, são células Th17 (Células T CD4+  produtoras de Il17) as células que estão sendo apontadas como as pivotais na imunopatogenia da EAE. Esse artigo destaca as crescentes evidências de que as células Th17 têm um papel importante na complexa imunopatogenia da EAE e da EM e discute os papéis de outras células imunes e citocinas. Esse conjunto de informação constitui a atual base imunológica para o desenvolvimento de novas terapias para a EM que também são discutidas nesse artigo.

Comentário: Uma revisão de fácil acesso e resumida sobre o antigo e atual conhecimento da imunopatologia da EM. Em algumas páginas, o artigo consegue condensar evidências sobre os papéis das células TH1, TH17, TH9, Th2, Tregs e Stats. Os pontos de maior destaque desse artigo, além da linguagem fácil, são as figuras, em especial a figura 2 onde é colocado a imunopatogênese dessa doença e atuais alvos terapêuticos. Inclusive a abordagem desses alvos terapêuticos é outro ponto interessante, pois o artigo não discute somente as drogas de primeira linha, como glatiramer e interferons beta, mas também corticóides, natalizumab, fingolimode e cladribina (entre outras).

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22203863

——————————————————————————————————————————————————————

Diagnóstico sorológico de NMO: uma comparação multicêntrica de ensaios de aquaporina-4-IgG

(“Serologic diagnosis of NMO: A multicenter comparison of aquaporin-4-IgG assays”)

Abstract: Objetivos: IgG Aquaporina–4 (AQP4IgG) é um anticorpo específico para a Neuromielite óptica (NMO) e para as doenças que estão no mesmo espectro clínico (NMO Spectrum Disorders –NMOSD), por essa razão a detecção desse autoanticorpo se tornou essencial na investigação dos pacientes com doença desmielinizante. No momento, vários testes com técnicas diferentes estão sendo usados para a detecção do AQP4IgG, mas uma comparação desses testes em centros diferentes nunca havia sido realizada. Esse estudo compara a sensibilidade e especificidade de diferentes testes para a detecção AQP4IgG, incluindo Citometria de Fluxo “in-house” e 2 testes comerciais (ELISA e ensaio com células transfectadas [CBA]). Métodos: Seis testes (“in-house” ou comercial) foram realizados em 2 centros internacionais usando soro de pacientes com NMO  (35 pacientes), NMOSD (25 pacientes), Esclerose Múltipla recorrente-remitente (39 pacientes), demais doenças autoimunes (25 pacientes) e indivíduos normais (22 indivíduos). Resultados: Os testes com maior sensibilidade foram os que usam técnica de células que expressam AQP4 recombinante: Citometria de Fluxo (77%; 46 of 60) ou CBA (73%; 44 of 60). A imunoprecipitação com fluorescência e a imunofluorescência em tecido foram os com menor sensibilidade (48%–53%). Os testes comerciais, CBA e ELISA, apresentaram como sensibilidade 68% (41 of 60) e 60% (36 of 60), respectivamente e, quando usados em combinação a sensibilidade foi de  72% (43 of 60). Conclusões: A sensibilidade maior e excelente especificidade da segunda geração (ensaios que usam técnica recombinante)  de testes para a detecção de AQP4IgG irá permitir o diagnóstico da NMO e NMOSD mais cedo, permitindo uma terapia mais adequada.

Comentário: Geralmente o médico que está envolvido somente com a clínica, e não com a pesquisa, não lê artigos sobre técnicas laboratorias de diagnósticos serológicos. No entanto, esse artigo é de suma importância para o neurologista pois:

1) Possui qualidade científica e clareza ímpar;

2) A Neuromielite Óptica está se tornando cada vez mais conhecida e é uma das poucas doenças neurológicas com biomarcador. A terapia é diferente da Esclerose Múltipla, seu maior diagnóstico diferencial. É uma doença com alta comorbidade. Assim, o médico tem como sua responsabilidade diagnosticar o melhor o possível essa comorbidade, para isso ao solicitar um teste diagnóstico de AQP4 a um laboratório, ele precisa saber a especificidade e sensibilidade desse teste para guiar as suas decisões.

3) Um paciente com NMOSD pode ter uma terapia mais adequada se diagnosticado corretamente, e para isso o médico necessita saber o quanto confiar no resultado do teste sorológico dependendo da técnica utilizada.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22302543

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s