Atualizações em Doenças Neuromusculares – Abr/12

Publicado: 30/04/2012 em Doenças Neuromusculares
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SNAPs, CMAPs e ondas-F: estudos de condução nervosa para os não-iniciados

(“SNAPs, CMAPs and F-waves: nerve conduction studies for the uninitiated”)

Whittaker RG

Pract Neurol. 2012 Apr;12(2):108-15

Abstract: Os estudos de condução nervosa (NCS) são utilizados para investigar processos difusos como polineuropatias e doença do neurônio motor, processos multifocais como mononeurite múltipla e neuropatias focais, como síndrome do túnel do carpo. Eles são altamente sensíveis em detectar doenças no sistema nervoso periférico, permitem uma localização anatômica precisa da lesão e são centrais na classificação da fisiopatologia subjacente. Assim como outros testes funcionais, a especificidade é relativamente pobre. Embora existam alguns padrões específicos, em geral uma neuropatia comprimento-dependente , por exemplo, se parece muito com outra, independente da etiologia. Então, enquanto os NCS pode afunilar a fisiopatologia subjacente (ex. axonal vs desmielinizante), e dar uma ideia da gravidade do processo, eles são adjuvantes de outros testes mais específicos para determinar o diagnóstico final. Semelhantemente, como revelam um quadro transversal da função do sistema nervoso periférico, um único estudo não é informativo se um processo é estático ou progressivo. Para esta informação, a repetição dos estudos pode ser necessária.

Comentário: Embora o título sugira um artigo do gênero “Estudos de condução nervosa para ‘Dummies’” o trabalho é completo e interessante. Consegue apresentar de forma clara os estudos da condução nervosa utilizados rotineiramente, sem simplificar ao extremo. Conceitos como potenciais de ação sensitivos, potenciais de ação musculares compostos, ondas-F e ondas-A são definidos e explica-se como são obtidos. De grande valor para quem interpreta laudos de ENMG na prática diária.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22450459

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Síndrome de Guillain-Barré Sensitiva e desordens correlatas: uma tentativa de sistematização

(“Sensory Guillain-Barré Syndrome and related disorders: an attempt at systematization”)

Uncini A, Yuki N

Muscle Nerve. 2012 Apr;45(4):464-70

Abstract: A possibilidade de alguns pacientes diagnosticados com neuropatia sensitiva aguda poderem ter, de fato, síndrome de Guillain-Barré (GBS) tem sido repetidamente aventada na literatura, mas o número de casos é pequeno. Os relatos tem mostrado diferentes apresentações clínicas e achados eletrofisiológicos e recebido vários nomes, gerando confusão nominal e nosológica. Definiu-se, operacionalmente, a GBS sensitiva como uma neuropatia aguda, monofásica, generalizada caracterizada clinicamente por sintomas sensitivos exclusivos e sinais que alcançam o seu nadir em no máximo 6 semanas sem doenças sistêmicas ou outras doenças ou condições relacionadas. Revisou-se a literatura por meio do PubMed de 1980 a março de 2011 e os arquivos dos autores. Com base no tamanho das fibras envolvidas e o possível local do dano primário, propôs-se uma tentativa de classificação da GBS sensitiva e desordens correlatas em três subtipos: polineuropatia sensitiva desmielinizante aguda; axonopatia-ganglionopatia de fibras grossas sensitivas aguda; e neuropatia-ganglionopatia de fibras finas sensitivas aguda.

Comentário: Um assunto atual e necessário. Os autores observaram que esses pacientes com uma neuropatia sensitiva aguda normalmente apresentavam uma história de infecção prévia (sintomas gripais, diarreia, dor de garganta) ou vacinação. A maioria também apresentou dissociação proteinocitológica no LCR. A apresentação pode envolver predominantemente as fibras grossas, os gânglios das raízes dorsais ou as fibras finas e/ou autonômicas. O envolvimento motor pode estar presente nos estudos de condução nervosa, mas estão ausentes clinicamente. Vários pacientes tiveram resposta favorável aos tratamentos imunológicos (imunoglobulina, plasmaférese ou corticoide). Embora não dê para tirar conclusões sobre o tratamento, o artigo contribui em sistematizar uma abordagem e classificação para essas síndromes: diante de uma neuropatia sensitiva aguda/subaguda deve-se sempre lembrar de perguntar sobre infecções ou vacinações prévias no último mês e realizar uma ENMG e colher LCR.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22431077

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Os desafios e a beleza da regeneração dos nervos periféricos

(“The challenges and beauty of peripheral nerve regrowth”)

Zochodne DW

J Peripher Nerv Syst. 2012 Mar;17(1):1-18

Abstract: Esta revisão oferece uma visão global de aspectos selecionados da regeneração dos nervos periféricos e vias de potencial exploração terapêutica. O padrão global coordenado e orquestrado de recuperação de uma lesão no nervo periférico possui uma beleza de execução e progresso que se rivaliza com todas as outras formas de neurobiologia. Envolve mudanças ao nível do pericário, coordenação com importantes parceiros gliais periféricos, as células de Schwann, uma resposta inflamatória controlada, e crescimento que supera bloqueadores intrínsecos surpreendentes. Tanto o crescimento axonal regenerativo quanto o brotamento colateral abrange aspectos fascinantes desta história. O melhor entendimento da regeneração dos nervos periféricos também pode levar a uma melhora na recuperação de alterações no sistema nervoso central.

Comentário: Ciência. Artigo muito bom, de fisiologia e fisiopatologia. Lembra, nostalgicamente, um capítulo do Robbins. Esse artigo é o resultado da conferência presidencial do encontro da Peripheral Nerve Society ocorrido em Washington, no ano passado. Isso mostra a atualidade e a importância do tema. Oferece uma visão global do entendimento atual da degeneração walleriana e degeneração semelhante a walleriana e a regeneração dos nervos periféricos. Fica evidente que o que se sabe atualmente é muito mais do que aprendemos na faculdade e que ainda falta descobrir várias moléculas e mecanismos fisiológicos e terapêuticos.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22462663

comentários
  1. Raquel Campos disse:

    Síndrome de Guillain-Barré Sensitiva e desordens correlatas: uma tentativa de sistematização

    Acho interessante colocar que os paciente estão chegando para fazer ENMG muitas vezes com 2- 3 dias de sintomas sensitivos, algumas vezes ainda sem nenhuma queixa motora e que um exame ENMG superficial vai ser insuficiente para fazer diagnostico neurofisiologico de PIDA. Acho importante acompanhar por pelo menos 15 dias o paciente, orientá-lo antes de descartar completamente o diagnóstico de PIDA.

  2. […] complementar à revisão comentada aqui em abril que se referia aos estudos de condução nervosa (https://neuropolaca.wordpress.com/2012/04/30/atualizacoes-em-doencas-neuromusculares-abr12/). Mantém a qualidade do artigo anterior e apresenta em 8 páginas o que sempre quisemos saber […]

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