Atualizações em Epilepsia – Mai/12

Publicado: 29/05/2012 em Epilepsia
Tags:, ,

Morte súbita e inexplicada em epilepsia: mecanismos, prevalência e prevenção

(“Sudden unexpected death in epilepsy: mechanisms, prevalence, and prevention”)

Surges R, Sander JW

Curr Opin Neurol. 2012 Apr;25(2):201-7

Abstract: Morte súbita e inexplicada em epilepsia (SUDEP) é uma complicação fatal da epilepsia com taxas de incidência superiores a 9 por 1000 pacientes-ano em candidatos a cirurgia de epilepsia. Pesquisas colaborativas em andamento são direcionadas a aprimorar a avaliação do risco individual de SUDEP e ao desenvolvimento de medidas preventivas baseadas em considerações fisiopatológicas. Esta revisão foca nas novas descobertas em humanos e modelos animais relacionados à fisiopatologia, fatores de risco e prevençao de SUDEP. Mecanismos potenciais incluem arritmia cardíaca, cardiomiopatia pós-ictal, depressão da função autonômica e insuficiência respiratória associada à crise epiléptica. Preditores eletrocardiográficos de morte súbita cardíaca foram descritos em pacientes com epilepsia crônica, mas seu significado para SUDEP permanece incerto. Fatores de risco epidemiológico compreendem sexo masculino, idade de início da epilepsia, causa definida, duração de epilepsia, crises convulsivas frequentes e politerapia. Medicação adjunta eficaz pode reduzir o risco de SUDEP. Características clínicas recentes podem definir melhor o risco individual de SUDEP. Estratégias terapêuticas potenciais incluem a modulação farmacológica da parada respiratória e implantação de dispositivos cardíacos. Drogas antiepilépticas reduzem o risco, reforçando a importância do controle bem-sucedido das crises para a prevenção.

Comentário: Há discussão de modelos fisiopatológicos animais e humanos, sem no entanto abordar o problema de quando conversar sobre isso com os pacientes.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22274774

——————————————————————————————————————————————————————

Discussão de SUDEP com pacientes e famílias

(“SUDEP discussions with patients and families”)

Leach JP

Pract Neurol. 2012 Apr;12(2):103-6

Abstract: A morte súbita e inexplicada em epilepsia (SUDEP) é claramente um tema muito importante. Pacientes e seus representantes buscam consistência e clareza quanto à informação obtida. É necessário que seja obtida uma maneira de transmitir a informação através das necessidades, medos e circunstâncias de cada indivíduo e sua família. A promoção de medidas que aumentem a segurança dos pacientes e reduzam o risco de SUDEP deve prevalecer.

Comentário: Fundamentalmente, há três linhas para abordar SUDEP: a) o risco de morte em cada crise individualmente é baixo; b) a prevenção de crises é a melhor maneira para minimizar este risco já baixo; e c) escolhas do paciente (como uso de medicação e observação de gatilhos) irão afetar este risco. Na Escócia, origem do autor, há determinação legal para abordagem do tema logo após o diagnóstico de epilepsia. Isso ainda não ocorre no Brasil.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22450457

——————————————————————————————————————————————————————

Monoterapia vs politerapia antiepiléptica: em busca de resolução de crises e tolerabilidade em adultos

(“Antiepileptic drug monotherapy versus polytherapy: pursuing seizure freedom and tolerability in adults”)

Stephen LJ, Brodie MJ

Curr Opin Neurol. 2012 Apr;25(2):164-72

Abstract: Apesar da disponibilidade de várias drogas antiepilépticas (DAE) no mercado, apenas cerca de 50% dos pacientes obtém controle das crises epilépticas na primeira medicação. Este artigo explora opções de tratamento e fatores que influenciam quando as DAE devem ser substituídas ou associadas. Antes da introdução das novas DAE, era geralmente aceito que a combinação de DAE tradicionais não necessariamente levaria à melhora no controle de crises, e isto poderia aumentar a propensão a efeitos adversos. Novas DAE, algumas com diferentes mecanismos de ação, aumentaram o potencial para politerapia, embora dados robustos para suportar ou refutar esta conduta sejam raros. Parece sensato substituir ao invés de associar a primeira DAE quando ela gera uma reação idiosincrática, é pouco tolerada em doses baixas ou médias, ou não demonstra eficácia. Politerapia pode ser preferida se o paciente tolera bem a primeira DAE, entretanto não há controle absoluto das crises, particularmente quando há substrato patológico para epilepsia. A seleção de DAE requer a consideração de vários fatores que são discutidos neste artigo. Não há respostas definitivas quanto à associação ou substituição de DAE. Diferentes estratégias são necessárias para diferentes situações em diferentes pacientes.

Comentário: Apesar da óbvia conclusão, o texto é bom para lembrar em quais situações as DAE podem interferir, como acne ou nefrolitíase. Além disso, discute tratamentos preferenciais para idosos e gestantes. Reforça o benefício da associação lamotrigina-ácido valproico.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22322411

 

comentários

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s