Atualizações em Neurorradiologia Intervencionista – Ago/12

Publicado: 21/08/2012 em Neurorradiologia Intervencionista
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Quantidade de molas necessárias para o tratamento endovascular dos aneurismas cerebrais de acordo com seu tamanho: estudo baseado em uma série de 952 aneurismas embolizados

(“Number of coils necessary to treat cerebral aneurysms according to each size group: a study based on a series of 952 embolized aneurysms”)

Vanzin JR, Abud DG, Rezende MT, Moret J

Arq Neuropsiquiatr. 2012 Jul;70(7):520-3

Abstract: Objetivo:O sistema público brasileiro determina uma quantidade limitada de molas permitida para o tratamento endovascular dos aneurismas cerebrais. O objetivo deste trabalho foi determinar a quantidade de molas necessária para tratar um aneurisma usando tamanho como referência. Método: Foram revisados todos os pacientes com aneurismas embolizados entre 1999 e 2003. Resultados: No total, 952 aneurismas foram analisados. O diâmetro médio foi de 8,2 mm, com 7,9 molas usadas por aneurisma. Do total, 462 aneurismas eram pequenos, com tamanho médio de 4,8 mm e 4,6 molas/aneurisma. Foram tratados 315 aneurismas médios, com tamanho médio de 8,6 mm e 8,2 molas/aneurisma. Dentre os 135 aneurismas grandes, o tamanho foi de 17 mm, com 16,1 molas/aneurisma. Foram tratados 40 aneurismas gigantes, com média de 32 mm e 28,7 molas/aneurisma. Conclusão: Propomos que se utilize o tamanho do aneurisma como referência para prever o número de molas necessário para embolização: uma mola para cada milímetro de tamanho do saco aneurismático.

Comentário: Este artigo foi publicado na revista neurológica de maior evidência em nosso país, por 3 autores que são referência nacional no tratamento endovascular dos aneurismas cerebrais com a colaboração e orientação do Professor Jacques Moret (França). O artigo revela uma fórmula estimada para a quantidade de micromolas necessárias para o tratamento de um aneurisma cerebral baseada em uma grande série de aneurismas tratados na França. Estimar a quantidade de molas necessárias para tartar um aneurisma é muito interessante do ponto de vista de saúde pública e planejamento de gastos. Apesar de mais de 20 anos de tratamento endovascular dos aneurismas cerebrais e do seu estabelecimento em nível 1A de evidência, atualmente a maior parte da população brasileira  não recebe este tratamento pelo Sistema Único de Saúde.

Link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-282X2012000700009&lng=en&nrm=iso&tlng=en

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Reconstrução endovascular no tratamento da dolicoectasia vértebro-basilar: desfechos tardios

(“Endovascular Reconstruction for Treatment of Vertebrobasilar Dolichoectasia: Long-Term Outcomes”)

Wu X, Xu Y, Hong B, Zhao WY, Huang QH, Liu JM

AJNR Am J Neuroradiol. 2012 Aug 16

Abstract: Introdução e objetivos: Dolicoectasia vértebro-basilar (DVB) pode causar diversos sintomas clínicos, especialmente AVC isquêmico da circulação posterior, mas não existem tratamentos preventivos efetivos para esta condição. Nós procuramos validar a viabilidade da reconstrução por micro-molas e stent para o tratamento da DVB e avaliar a sua efetividade em prevenir eventos isquêmicos a longo prazo. Materiais e métodos: Dados clínicos e radiológicos de 9 pacientes com DVB não rotas foram revisados retrospectivamente. Dependendo do comprimento e diâmetro do vaso doente, stents LEO e/ou Solitaire foram utilizados com micro-molas. Resultados: A reconstrução do lúmen vascular foi obtida com sucesso em todos os pacientes. Complicações relacionadas ao procedimento ocorreram em 1 paciente que apresentou AVC isquêmico de tronco encefálico e cerebelo 8 dias após o tratamento e faleceu em 4 meses. Em 1 paciente foi realizada a embolização com micro-molas da vertebral não-dominante 1 mês após o tratamento de 1 paciente  que apresentou AVC de tronco e cerebelo. O seguimento médio de 8 pacientes sobreviventes foi de 20.75 ± 6.90 meses. Dos 4 pacientes com dolicoectasia da circulação anterior, 2 tiveram eventos isquêmicos da circulação anterior. Um outro paciente apresentou morte súbita em casa 26 meses após o procedimento. A condição dos 5 demais pacientes ficou estável sem piora e, em 4 pacientes, DSA/CTA/MRA sugeriram melhora morfológica da artéria vertebral. Conclusões: A reconstrução endovascular com micro-molas e stent ou stent apenas para o tratamento da DVB é técnicamente viável e pode prevenir eventos isquêmicos no território dos vasos tratados comparado ao seu curso natural, embora sejam necessarios mais estudos com casuísticas maiores.

Comentário: Apesar de uma série pequena de pacientes, este artigo chama a atenção para a dolicoectasia cerebrovascular. Pacientes com dolicoectasias intracranianas são frequentes em nossa prática clínica no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Muitas vezes assintomáticos, outras vezes se apresentam com AVC lacunar de tronco ou ainda com sintomas compressivos de tronco ou nervos cranianos. A grande maioria dos casos são observados na circulação posterior e conduzidos clinicamente. Entretanto seria muito interessante um estudo prospectivo dos casos sintomáticos randomizando pacientes para a melhor terapia clínica ou para reconstrução luminal com stents e terapia clínica. Quanto à técnica de reconstrução luminal, os stents diversores de fluxo vêm ganhando muito espaço e certamente a sua aplicação para a reconstrução vascular é tecnicamente mais simples e com melhores resultados angiográficos que o uso de micro-molas e stents convencionais. Mas apenas estudos com desenhos motodógicos adequados poderão trazer respostas acerca do melhor tratamento desta condição.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22899783

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