Atualizações em Neuroimunologia – Ago/12

Publicado: 13/09/2012 em Neuroimunologia
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Leucoencefalopatia Multifocal Progressiva: uma revisão das características de imagem e diagnóstico diferencial

(“Progressive multifocal leukoencephalopathy: a review of the neuroimaging features and differential diagnosis”)

Sahraian MA, Radue EW, Eshaghi A, Besliu S, Minagar A

Eur J Neurol. 2012 Aug;19(8):1060-9

Abstract: A leucoencefalopatia multifocal progressiva (LMP) é uma doença desmielinizante do sistema nervoso central rara e fatal que é causada pela reativação do poliomavírus JC (JCV). A LMP geralmente ocorre em pacientes em imunossupressão profunda como no caso de pacientes com AIDS. Recentemente, a LMP esteve associada a administração de natalizumab no tratamento de Esclerose Múltipla (EM),tornando o diagnóstico e manejo clínico da LMP uma grande preocupação nesses pacientes. O diagnóstico da LMP usualmente se baseia na neuroimagem em um contexto clínico apropriado e posteriormente confirmado por reação de polimerase em cadeia (PCR) no LCR positivo para o DNA do JCV. O tratamento com terapias retrovirais em pacientes HIV-seropositivos ou o cessar do natalizumab em pacientes com EM apresentando LMP pode levar ao desenvolvimento da Síndrome Inflamatória de Reconstituição Imune (SIRS) que se apresenta com deterioração dos sintomas  prévios e pode ser fatal. Nos pacientes em tratamento com anticorpos monoclonais (na prática clínica ou em trials clínicos) a diferenciação radiológica entre LMP e lesões agudas de EM  tem importância crítica para neurologistas e neurorradiologistas. Nessa revisão, são discutidas as características clínicas e neuroimagem da LMP, SIRS e como diferenciar lesões agudas de EM e LMP. Também são discutidas as características radiológicas da LMP em técnicas de ressonância magnética não convencionais como DWI, DT, espectroscopia.

Comentário: Com o aumento do número de pacientes imunossuprimidos, seja secundário à AIDS ou a um tratamento imunossupressor, a LMP vem se tornado cada dia mais comum. Sendo essa uma doença que afeta o sistema nervoso central, o neurologista será o médico responsável pelo diagnóstico e manejo. Esse artigo estressa que a LMP não é restrita a pacientes com EM tratados com natalizumab, mas sim é vista também em pacientes com AIDS, imunossuprimidos secundário a tratamentos (dentre eles os anticorpos monoclonais como rituximab e natalizumab), e também em casos “criptogênicos”. Além disso, lembra que a LMP é uma doença relacionada a reativação do vírus JC e não primo-infecção e comenta o problema da sensibilidade do teste de PCR para detecção do DNA do JCV. O artigo também comenta uma das grandes dificuldades do diagnóstico da LMP: o amplo espectro de sintomas. Em relação a essa questão, um comentário digno de nota é que a LMP deve ser um diagnóstico diferencial em paciente com EM apresentando crise convulsiva. Mas o mais importante desse artigo é a discussão sobre imagem da LMP, em especial que:

1) As lesões geralmente poupam medula espinhal e nervo óptico

2) Em pacientes com HIV, lesões relacionadas à LEMP em tronco encefálico são mais comuns do que em outros grupos.

3) Lesões captantes de contraste são mais vistas em pacientes com EM em tratamento com natalizumab.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22136455

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Distúrbios do Movimento em Doenças Autoimunes

(“Movement disorders in autoimmune diseases”)

Baizabal-Carvallo JF, Jankovic J

Mov Disord. 2012 Jul;27(8):935-46

Abstract: Já é de conhecimento geral que distúrbios do movimento podem estar associados a várias doenças autoimunes. Alguns exemplos são: coréia de Sydenham, desordens neuropsiquiátricas autoimunes da infância associadas com infecções por estreptococos, lupus, síndrome antifosfolípide, sensibilidade ao glúten e encefalopatias autoimunes e paraneoplasticas. Tremores, distonia, corea, balismo, mioclonus, parkinsonismo e ataxia podem ser a apresentação inicial ou única dessas doencas autoimunes. Apesar de existirem indícios de anticorpos dirigidos a estruturas do sistema nervoso central, os mecanismos patogênicos desses distúrbios ainda não foram elucidados. O diagnóstico clínico desses distúrbios autoimunes do movimento é crítico para a correta terapia imune ou alterações na dieta, em especial se esses distúrbios forem diagnosticados rapidamente. Neste artigo, são discutidas as características clínicas, mecanismos patogênicos e tratamentos dos distúrbios do movimento associados com doenças autoimunes, baseados em experiência própria e em uma revisão sistemática da literatura.

Comentário: Esse artigo é uma revisão sucinta sobre os distúrbios de movimento em doenças autoimunes. Os distúrbios de movimento discutidos no artigo são: coréia de Sydenham, PANDAS, distúrbios de movimento em síndromes paraneoplásticas (abordagem ampla e up to date), em doencas reumatológicas e na doença celíaca. Além de discutir as características clínicas, também comenta sobre as possiveis terapias em cada distúrbio de movimento.  Em relação à discussão sobre patofisiologia, deixa a desejar. Chamo a atenção das duas maravilhosas tabelas do artigo. A primeira comparando PANDAS e Coreia de Sydenham e a segunda sobre as síndromes paraneoplásicas correlacionando os autoanticorpos, os tumores e as características clínicas relacionadas a cada autoanticorpo. Sugiro ao colega interessado assistir aos vídeos que estão associados ao artigo através de link na internet.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22555904

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Teorias Atuais na Patogênese e Tratamento da Esclerose Múltipla

(“Current Theories for Multiple Sclerosis Pathogenesis and Treatment”)

Marcus Muller, Rachael Terry, Stephen D. Miller and Daniel R. Getts

Resumo de Capítulo do livro “Autoimmune Diseases – Contributing Factors, Specific Cases of Autoimmune Disease, and Stem Cell and Other Therapies”

Abstract: A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença crônica, autoimune e progressiva do Sistema Nervoso Central (CNS), e que afeta ambos adultos e crianças. Este capítulo compila, de forma sucinta, informações de como o processo autoimune provavelmente  inicia nesta doença , bem como descreve as correntes e futuras opções terapêuticas nesta patologia. Embora a indução terapêutica, de longa duração, da modulação na tolerância das células T antígeno-específico seria a opção de tratamento desejada, tal terapia continua ainda a ser clinicamente desenvolvida. Nos dias de hoje, uma vez que o diagnóstico de EM é feita, o tratamento é geralmente iniciado com base imunológica, nas numerosas terapias destinadas principalmente à inativação de T células e outras funções imunes.

Comentário: Este capítulo 1, escrito de forma sucinta por Marcus Muller e colaboradores (encontrado no livro intitulado – “Autoimmune Diseases – Contributing Factors, Specific Cases of Autoimmune Diseases, and Stem Cell and Other Therapies”, editado por James Chan e onde tivemos a participação brasileira no capítulo 8 com o nosso brilhante colega da USP-São Paulo – Dr Jean P S Peron), discute de forma didática, assuntos consagrados, postulados e alguns polêmicos sobre a fisiopatogenia e o tratamento clínico na Esclerose Múltipla, como por exemplo, predisposição gênica não associada ao HLA (gene associado à vitamina D-hidroxilase CYP27B1), fatores ambientais não infecciosos como o cigarro, a polêmica associação com a vitamina D, discussão sobre os vários modelos experimentais de encefalomielites, e finalmente, discussão das recentes e novas terapias baseada na farmacodinâmica destas drogas.

Link: http://www.intechopen.com/books/autoimmune-diseases-contributing-factors-specific-cases-of-autoimmune-diseases-and-stem-cell-and-other-therapies/current-theories-for-multiple-sclerosis-pathogenesis-and-treatment

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