Atualizações em Neurologia Infantil – Abr/13

Publicado: 13/05/2013 em Neurologia Infantil
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Caros amigos, estamos iniciando uma nova linha de atualizações em Neurologia. A médica neurologista Clara Barreira assumirá a pasta de Neurologia Infantil, trazendo as novidades da literatura desta importante subárea de nossa especialidade. Aproveitem!

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Critérios Diagnósticos para Esclerose Múltipla Pediátrica

(“Diagnostic criteria for pediatric multiple sclerosis”)

Rubin JP, Kuntz NL

Curr Neurol Neurosci Rep. 2013 Jun;13(6):354

Abstract: Há uma estimativa de que 2 a 5% de todos os pacientes com Esclerose Multipla (EM) têm início dos sintomas antes dos 16 anos de idade. Assim como em adultos, o diagnóstico de EM na faixa pediátrica é, a princípio, clínico, exigindo episódios recorrentes de desmielinização do Sistema Nervoso Central (SNC), associado a exames complementares (achados de Ressonância Magnética – RNM – e características liquóricas), na ausência de outro diagnóstico possível. Os diagnósticos diferenciais são vários; quanto mais atípica a apresentação e mais nova a criança, mais criterioso se deve ser ao se diagnosticar EM. EM deve ser diferenciada de encefalomietite disseminada aguda (EMDA ou em inglês ADEM) ou de neuromielite óptica (NMO). Após um evento inicial de desmielinização do SNC ou síndrome clínica isolada (CIS), crianças podem fechar critério para EM caso haja alterações compatíveis a RNM e outras doenças forem excluídas. O diagnóstico preciso de EM na criança é crítico por causa das implicações deste diagnóstico, incluindo terapêutica modificadora da doença a longo prazo.

Comentário: O resumo é conciso, e o artigo segue a mesma linha objetiva. Os autores se referem, de uma forma bem abrangente, a um tema cada vez mais denso na neurologia – EM e outras doenças desmielinizantes – porém focados em uma população em que esses diagnósticos são, por vezes, ignorados, tanto por pediatras e neurologistas, como pela população em geral. Os autores fazem considerações importantes aos principais diagnósticos diferenciais, tanto com doenças desmielinizantes (NMO, ADEM e CIS) quanto com diferenciais de outras naturezas. Há uma tabela bem prática com esses possíveis diagnósticos, peculiaridades de apresentação e propedêutica diagnóstica. Relatam, por exemplo, que cerca de 95% das crianças tem uma apresentação como EM surto-remissão – apresentação primariamente progressiva deve exacerbar a busca por diagnósticos alternativos. Conseguem, de forma bem sucinta, traçar um paralelo entre EM na faixa pediátrica e no adulto. Abordam os critérios diagnósticos para EM pediátrica (McDonald 2010, Callen) de forma bem objetiva e ilustrada. Tendo em vista o maior discernimento diagnóstico, a crescente incidência dessas doenças acoplada ao desenvolvimento sócio-econômico mundial, e o impacto direto e indireto das sequelas neurológicas possíveis, EM na faixa pediátrica deve passar a constar no “inventário” de diagnósticos diferenciais neuropediátricos.

“O maior desafio no diagnóstico de EM na população pediátrica é discernir desmielinização transitória, monofásica, da doença desmielinizante crônica, bem como diferenciar EM de outras doenças inflamatórias ou infecciosas”.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23591756

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Eletroencefalograma na Urgência Pediátrica: quando é mais útil?

(“Electroencephalography in the Pediatric Emergency Department: When Is It Most Useful?”)

Fernández IS, Loddenkemper T, Datta A, Kothare S, Riviello JJ Jr, Rotenberg A

J Child Neurol. 2013 Apr 16

Abstract: Este estudo teve por objetivo identificar as indicações para as quais o eletroencefalograma (EEG) é mais útil na urgência pediátrica. Nós revisamos retrospectivamente a influência dos resultados do EEG de emergência na eventual disposição de pacientes no nosso departamento de emergência pediátrica. Sessenta e oito crianças (idade média 7,3 anos, 32 do sexo masculino) foram submetidos a 70 EEGs de emergência. Cinquenta e sete EEGs foram realizados por suspeita de crise convulsiva ou status epilepticus. Treze de 22 crianças (59.1%) dispensadas do departamento de emergência foram liberadas para casa baseando-se principalmente nos resultados dos EEGs, o que preveniu internação. Especialmente, 11 de 38 crianças com eventos paroxísticos frequentes e recorrentes que levantavam suspeita para convulsões e 2 de 19 crianças com suspeita de status epilepticus foram dispensadas após a exclusão de distúrbio epiléptico. O EEG na emergência proporcionou informação clinica significativa que influenciou na disposição dos pacientes, especialmente naqueles com eventos paroxísticos em que o quadro clínico foi prontamente esclarecido por uma aquisição eletroencefalográfica rápida.

Comentário: Estudo retrospectivo, que avaliou os EEGs realizados no contexto emergencial no Boston’s Children’s Hospital, num período de 29 meses. Teve por objetivo avaliar se os exames solicitados foram bem indicados e se o fato de terem sido realizados ainda na emergência influenciou na taxa de hospitalização dessas crianças. O perfil de pacientes encontrados pelos autores foi:  68 crianças, sendo a média de idade de 7,3 anos e 32 do sexo masculino; 20% eram recorrência de crises, 7% com status epilepticus. 56,8 por 100.000 foram 1ª crise e foi a causa mais comum de visita a emergência. Os autores consideram que, apesar da alta frequência de crises na emergência pediátrica, ainda é incerto se o EEG deve ser indicado rotineiramente para todos os casos de crise convulsiva espontânea; tão pouco está claro qual deveria ser o intervalo de tempo mínimo para a realização do exame. Porém em casos específicos em que há alteração persistente pós-ictal do nível de consciência, suspeita de status não-convulsivo e presença de atividade motora de origem incerta, o EEG parece ser útil.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23594820

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