Atualizações em Neuroimunologia – Mai/13

Publicado: 05/06/2013 em Neuroimunologia
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Imunologia da neuromielite óptica: uma colaboração entre as células B e T

(“Immunology of neuromyelitis optica: a T cell-B cell collaboration”)

Mitsdoerffer M, Kuchroo V, Korn T

Ann N Y Acad Sci. 2013 Apr;1283(1):57-66

Abstract: A neuromielite óptica (NMO) é uma doença inflamatória autoimune debilitante do sistema nervoso central, que é distinta da Esclerose Múltipla (EM). A descoberta do anticorpo anti-AQP4 IgG (ou NMO-IgG) no soro de pacientes com NMO (e a seronegatividade nos pacientes com EM) foi a descoberta que permitiu uma melhor definição no critério diagnóstico da NMO. NMO-IgG é um anticorpo dirigido contra uma proteína AQP4 no canal de água dos astrócitos. Enquanto há evidência que o NMO-IgG está também envolvido em mediar a destruição tecidual no sistema nervoso central, muitos aspectos da patologia da NMO ainda necessitam ser determinados. Células T antígeno-específicas contribuem para a geração de NMO-IgG no compartimento imune periférico, assim como nas lesões de NMO no sistema nervoso central.  Células Th17, responsáveis por prover ajuda a células B e induzir inflamação tecidual, podem estar envolvidas no processo de NMO e na sua patogênese. Aqui, revisamos aspectos imunológicos da NMO, e discutimos achados recentes na biologia da cooperação entre células B e T na perspectiva da imunologia do sistema nervoso central.

Comentário: O título desse artigo deveria ser mudado para: “Revisão da imunopatologia da NMO e diferenças em relação a EM”. Mesmo assim, é uma artigo para ser lido por ter revisado a difícil fisiopatologia da NMO de maneira sucinta, fácil de ler e de se entender. Também mostra muito bem o quanto EM e NMO são diferentes, apesar de ainda ser comum a confusão no diagnóstico.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23617588

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Plasmaférese para surtos refratários a corticoesteróides em Esclerose Múltipla: Um estudo piloto, observacional

(“Plasma exchange for steroid-refractory relapses in multiple sclerosis: an observational, MRI pilot study”)

Meca-Lallana JE, Hernández-Clares R, León-Hernández A, Genovés Aleixandre A, Cacho Pérez M, Martín-Fernández JJ

Clin Ther. 2013 Apr;35(4):474-85

Abstract: Contexto: Vários estudos mostraram que a Plasmaférese (PE) é efetiva como opção de segunda linha no tratamento de surtos graves e refratários à corticoterapia em Esclerose Múltipla (EM) e em outras doenças inflamatórias idiopáticas do sistema nervoso central. Objetivos: O objetivo desse estudo é analisar o efeito da PE em lesões clinico-radiológicas ativas em surtos refratários à terapia com corticoides em condições como EM e em doenças inflamatórias desmielinizantes do sistema nervoso central. Métodos: Esse é um estudo piloto prospectivo, observacional no qual o desfecho primário é o grau de resolução das lesões radiológicas após PE. Resultados: No total, 15 pacientes foram incluídos (idade média, 36.9 anos, 21–67 anos]; 60% mulheres). Cinco (33.3%) dos 15 pacientes tinham o diagnóstico de EM surto-supressão, 2 (13.3%) foram diagnosticados com mielite transversa no contexto de síndrome clínica isolada, 2 (13.3%) mielite recorrente, 1 (6.7%) mielite transversa, 1 (6.7%) mielite transversa longitudinalmente extensa, 1 (6.7%) encefalomielite aguda disseminada, 1 (6.7%) esclerose concêntrica de Baló’s e 2 (13.3%) tinham neuromielite óptica.  A piora média na escala de EDSS devido a surtos foi de 4.8 (2.53). Após PE, 93.3% demonstraram significante melhora clínica, e 46.7% retornaram ao EDSS pré-surto após 3 meses da PE. Ressonância Magnética após PE mostrou resolução de 60% das lesões radiológicas (80% lesões com efeito de massa, 83.3% lesões relacionadas a novo diagnóstico , e 100% das lesões em neuromielite óptica), 20% tiveram resolução parcial e 20% não apresentara resolução. Conclusão: Uma melhora clínica significante após PE não acompanhada por melhora radiológica não é indicativo de prognóstico ruim.

Comentário: Quinze pacientes com diversas doenças inflamatórias do sistema nervoso central foram incluídos nesse estudo por não terem resposta clínica satisfatória após pulso com metilprednisolona devido ao surto. PE foi tentada como terapia de resgate após 2 a 28 dias pós-pulso. O desfecho primário, melhora radiológica, foi atingido em 12 pacientes, sendo que em 9 houve total resolução da lesão correspondente ao surto.  Apesar que a maioria do pacientes apresentou melhora clínica, não foi obtido relação estatística significante entre o grau de resolução das lesões radiológicas e as variáveis: resposta clínica à PE, novo diagnóstico, número de sessões de PE ou tempo de início da PE. Outro dado interessante é que 3 pacientes que tiveram resolução radiológica, apresentaram novas lesões. Todos os pacientes apresentaram melhora do EDSS após PE e sem piora após 3 meses de follow-up. Esse artigo não traz novidades, o título não corresponde completamente ao artigo e se sente falta de um grupo controle para podermos comparar se a melhora após PE em surtos “refratários” à corticoterapia foi realmente uma melhora devida à PE ou um atraso na resposta clínica dos pacientes após pulso com corticoide, principalmente quando alguns pacientes foram considerados refratários com somente 2 dias pós-pulso. Por outro lado, pode-se argumentar que na prática clínica temos que definir o próximo passo rapidamente, dependendo das condições do paciente. Deixando as críticas de lado, tal artigo se torna interessante por:

       1) Mesmo não tendo chegado ao desfecho primário, os pesquisadores decidiram publicar seus resultados. Tal prática é infelizmente pouco comum, mas de igual importância a de se atingir o desfecho primário;

       2) Lembra aos médicos que a PE pode ser considerada como opção após pulsoterapia com corticoide;

E mais importante: Resposta clínica não é necessariamente seguida de resposta radiológica.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23541130

 

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