Atualizações em Neuroimunologia – Jan/14

Publicado: 09/02/2014 em Neuroimunologia
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Genética em Miastenia Gravis – uma revisão

(“Genetic basis of myasthenia gravis – A comprehensive review”)

Avidan NLe Panse RBerrih-Aknin SMiller A

J Autoimmun. 2013 Dec 19

Abstract: A Miastenia Gravis (MG) é uma doença autoimune rara caracterizada pela produção de autoanticorpos contra proteínas da membrana plasmática na junção neuromuscular. O número de pacientes com MG está crescendo, e mais do que dobrou nos últimos 20 anos. A concordância entre gêmeos monozigóticos é estimada em 35%, dando suporte a ideia que fatores ambientais têm um papel central na etiologia da MG. A epigenética presume que há um link entre o meio ambiente e o risco genético no desenvolvimento de uma doença,  e provê suporte para microRNAs específicos associados com a MG. Estudos genéticos apontam para alelos HLA específicos implicados na suscetibilidade para MG.  No entanto, recentemente as proteínas TNIP1 e a PTPN22 foram associadas a MG em um estudo GWAS . Um viés de gênero foi observado através de SNPs no locus do HLA, sugerindo que alelos específicos para mulheres conferem um maior risco para a MG. Além do mais, hormônios masculinos tem um papel pivotal no viés de gênero em autoimunidade e na MG. Portanto, a base genética desse viés de gênero é altamente pertinente à MG e merece melhor caracterização. Análises que combinam informação entre múltiplos genes em um número limitado de caminhos moleculares têm se mostrado uma tática de investigação poderosa. Tanto a diferenciação de células T regulatórias (Treg) e vias de sinalização via NF-kB têm se mostrado relevante para a patofisiologia da MG. Portanto, estudos centrados nessas vias de sinalização podem ser uma tática eficiente para identificar polimorfismos adicionais associados com a MG.

Comentário: Todo neurologista, especialmente o neuroimunologista, deve estar atualizado com o conhecimento sobre MG. Esse artigo é um revisão acessível sobre o atual conhecimento sobre a genética da MG.  Começo traduzindo a definição desse artigo para a MG, inclusive uma das mais completas que já li: “A MG é uma doença induzida por células B, dependente de células T, mediada por complemento e autoanticorpos cujos alvos são moléculas da junção neuromuscular, incluindo autoanticorpos contra o receptor de acetilcolina (85% dos pacientes), contra a kinase especifica muscular (MuSK) e o proteína relacionada a lipoproteína 4 (LRP4)”. Essa revisão comenta sobre a crescente prevalência e a geoepidemiologia dessa doença, resultados de estudos em GWAS e em genes HLA e não HLA, além de implicações epigenéticas. É sempre interessante estudos mostrarem a fisiopatologia de fenômenos vistos na prática clínica. Por exemplo, proteínas associadas, agora, com MG  foram previamente associadas também com outras doenças autoimunes como lúpus e síndrome de Sjögren. Outros dados interessantes dessa revisão é a discussão sobre o viés de gênero na MG, além de vários microRNAs sendo identificados com expressão aberrante na MG.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24361103

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Micróglia – as abelhas ocupadas do cérebro

(“Microglia – the brain’s busy bees”)

Cronk JCKipnis J

F1000Prime Rep. 2013 Dec 3;5:53

Abstract: Nos últimos anos ,houve grandes mudanças em como os neurocientistas vêem a micróglia  e o seu papel na saúde e na doença. Por décadas, foi presumido que a micróglia eram células inativas e estacionárias do sistema imune cerebral, aguardando que um insulto imunológico fosse acordá-las. Na realidade, técnicas de imagem modernas sugerem que a micróglia faz parte de uma grande família de células, classificadas como macrófagos tecido-residentes, os quais são derivados da vesícula vitelina durante embriogênese e se enxertam em vários órgãos do organismo. A micróglia, como todos os macrófagos tecido-residentes, contam com CD115 (receptor para o fator estimulante de colônia I) para sobrevivência, principalmente através do seu ligante, o fator macrofágico estimulante de colônia (MCSF). No entanto, nós agora sabemos que a micróglia necessita também de outro ligante CD115, a interleucina 34, fato que somente é compartilhado com as células de Langerhans da pele. Em contraste com o conhecimento clássico, evidências recentes sugerem que a função primordial da micróglia pode ocorrer durante o neurodesenvolvimento pós-natal e na homeostase cerebral na vida adulta, uma vez que a ausência ou dano à micróglia resulta em patologias não-inflamatórias ou imunes. Resumindo, esses avanços sugerem que a micróglia pode eventualmente ser utilizada ou ser alvo de terapias com a finalidade de melhora de desfecho de doenças através da potencialização de suas funções promotoras da homeostase cerebral.

Comentário: Ok, o título não funciona em português,  mas você irá ler esse didático artigo. A micróglia é o alvo de muitos artigos e conferências ultimamente devido a resultados de pesquisas que mostram que essas células têm várias funções e, ao contrário do que se pensava, não são células inativas/quiescentes que somente atuam quando há um ataque ao sistema nervoso central. Além disso, antigamente era muito difícil distinguir histologicamente e funcionalmente macrófagos periféricos no sistema nervoso central e a micróglia, mas através de novas técnicas, não somente os diferenciamos, mas agora também sabemos que eles tem origem embriológica diferente. Os macrófagos periféricos derivam da medula óssea e a micróglia do saco vitelínico (sendo, então, geradas antes dos macrófagos periféricos).  A figura 1 deste artigo sumariza as diferenças entre macrófagos periféricos e micróglia, assim como mostra a sinergia entre essas células. É também interessante a figura 2, onde é exposto o resultado quando não há expressão de CD115, ou IL34 ou  MCSF.  Uma das funções importantes que a micróglia apresenta, diferentemente dos macrófagos, é a regulação seletiva de sinapses neurológicas, fenômeno onde proteínas do sistema imune de complemento atuam junto à micróglia. Artigo gratuito no link abaixo.

Link: http://f1000.com/prime/reports/b/5/53/pdf

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