Atualizações na Neurologia Brasileira – Parte I – Mai e Jun/14

Publicado: 01/07/2014 em Artigos Brasileiros
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A Neurologia e Neurociência brasileira estão produzindo como nunca antes, e cada vez mais nossa comunidade acadêmica é bem-vista pelos outros países. Para termos a real dimensão desta expansão, nós publicaremos pequenos resumos sobre artigos publicados em revistas científicas internacionais por autores brasileiros, dentro de instituições nacionais, a cada mês.

Nesta primeira edição, começaremos com vários artigos publicados de maio e junho de 2014:

 

1) “Sintomas neuropsiquiátricos nos estágios prodrômicos das demências” [Curr Opin Psychiatry 2014;27:230-235]

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Trabalho oriundo da cooperação de diversos serviços (UNESP Rio Claro, USP/SP, UNICAMP, PUC/SP e UFMG), traz importantes informações sobre questões geralmente negligenciadas pelos neurologistas: as alterações neuropsiquiátricas que podem preceder as síndromes demenciais. Segundo o autor correspondente, o Dr. Florindo Stella, comumente são discutidas as alterações cognitivas como condição prodrômica de um processo demencial, especialmente, no comprometimento cognitivo leve. No entanto, alterações neuropsiquiátricas, como apatia, depressão, ansiedade, distúrbios do sono, dentre outros sintomas, podem constituir-se em manifestações prodrômicas de um quadro demencial em curso. São estas as questões discutidas no artigo.

Link PubMed: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24613979

 

2) “Ecogenicidade da substância negra e imagem dos transportadores estriatais de dopamina na doença de Parkinson: um estudo transversal” [Parkinsonism Relat Disord 2014; 20:477-481]

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Fruto da produtiva cooperação entre os grupos de Neurologia e Neurocirurgia da UNIFESP com a USP/SP, os autores exploram o potencial diagnóstico das duas principais ferramentais de neuroimagem atualmente usadas como possíveis biomarcadores substitutivos da doença de Parkinson, o ultrassom de mesencéfalo e o SPECT com avaliação da DAT estriatal. Os autores mostraram ótimos valores de sensibilidade e especificidade para diagnóstico da doença com as duas técnicas, colocando mais fogo na lenha sobre a discussão da utilidade destes biomarcadores imagenológicos na doença de Parkinson.

Link PubMed: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24629800

 

3) Efeitos neuroprotetores da cafeína em ratos lesionados com 6-OHDA são mediados por vários fatores, incluindo citocinas pró-inflamatórias e inibições da deacetilação de histonas” [Behav Brain Res 2014; 264:116-125]

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Como um grande apreciador de pesquisa básica e modelos animais, considero este trabalho de grande importância no cenário das investigações sobre parkinsonismo e núcleos da base. Os autores observaram que a cafeína reverteu efeitos tóxicos provocados pela 6-OHDA sobre a via nigroestriatal de ratos, tanto em aspectos funcionais quanto histológicos. Segundo a autora correspondente, Profa. Dra. Glauce Viana, os pontos-chaves do trabalho foram mostrar que a cafeína reverteu:

a) A depleção estriatal de dopamina (DA), observada no grupo lesionado por 6-OHDA e não tratado;

b) A diminuição da atividade locomotora e do aumento do comportamento rotacional induzido por apomorfina;

c) A diminuição da imunoreatividade para tirosina hidroxilase (TH) no corpo estriado de ratos lesionados por 6-OHDA;

d) O aumento da imunoreatividade para TNF-alfa na substancia negra e corpo estriado de animais lesionados por 6-OHDA;

e) O aumento da imunoreatividade para histona desacetilase (HDAC) no corpo estriado e nas áreas CA1 e CA3 do hipocampo de  animais do grupo lesionado por 6-OHDA;

Link PubMed: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24525422

 

4) “Expressão desregulada de genes associados ao citoesqueleto na medula espinhal e no nervo ciático de modelos murinos pré-sintomáticos de Esclerose Lateral Amiotrófica SOD1(G93A)” [Front Cell Neurosci 2014; 8:148]

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Através da investigação da expressão gênica de proteínas do citoesqueleto em neurônios da medula espinhal e em células de Schwann do nervo ciático de animais com mutação na SOD1, um modelo animal de doença do neurônio motor, os autores mostraram algumas alterações em proteínas importantes da estabilidade do citoesqueleto, assim como do gene de uma proteína essencial para o transporte axonal, a cinesina.

Link do Artigo Completo (Gratuito): http://journal.frontiersin.org/Journal/10.3389/fncel.2014.00148/pdf

 

5) “O impacto clínico da patologia de substância cinzenta cerebelar na Esclerose Múltipla” [PLoS ONE 2014; 9(5):e96193]

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Mesmo sendo conhecida como uma doença de substância branca, cada vez mais se sabe que a esclerose múltipla afeta a substância cinzenta, e o cerebelo é um destes alvo mais comuns. Este ótimo trabalho mostrou o padrão clínico de lesões intracorticais cerebelares nos pacientes com esclerose múltipla surto-remissão, e que a carga de lesões na ressonância se correlaciona diretamente com medidas clínicas de incapacidade e com os sintomas cerebelares.

Link do Artigo Completo (Gratuito): http://www.plosone.org/article/fetchObject.action?uri=info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0096193&representation=PDF

 

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