Atualizações na Neurologia Brasileira – Parte II – Mai e Jun/14

Publicado: 07/07/2014 em Artigos Brasileiros
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Conforme prometido, a segunda parte dos artigos brasileiros publicados nos últimos dois meses, com comentários:

 

1) “Expressão e atividade da thimet oligopeptidase (TOP) são modificadas no hipocampo de indivíduos com epilepsia do lobo temporal (ELT)” [Epilepsia 2014 May;55(5):754-62]

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Instituições Envolvidas: UNIFESP, INCOR-USP, UNICAMP

Este trabalho se assoma aos vários grandes trabalhos já produzidos no Brasil no estudo das epilepsias do lobo temporal, principalmente pela abordagem completa, indo do modelo experimental à doença em humanos.

Segundo a autora correspondente, a Profa. Dra. Maria da Graça Naffah, a “thimet oligopeptidase (TOP) é uma enzima relacionada com a degradação do peptídeo β amiloide (Aβ), com a degradação de antígenos do complexo MHC II e com a degradação das cininas (mediadores inflamatórios) no sistema nervoso central. Nesse trabalho estudamos a expressão do mRNA para TOP, sua atividade enzimática e sua distribuição no hipocampo de pacientes com epilepsia do lobo temporal. Estudamos também esses mesmos parâmetros no hipocampo de animais submetidos ao modelo experimental de epilepsia, induzido por pilocarpina e encontramos redução importante na sua expressão, distribuição e atividade durante os períodos ictais, sugerindo uma falha nos mecanismos de depuração, envolvidos na remoção de peptídeos inflamatórios. Esses dados sugerem um acúmulo de substâncias potencialmente prejudiciais no tecido nervoso como Aβ , bradicinina e peptídeos antigênicos em regiões focais, nesse tipo de epilepsia”.

Link PubMed: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24702695

 

2) “Lovastatina diminui a síntese de mediadores inflamatórios durante a epileptogênese no hipocampo de ratos submetidos à epilepsia induzida pela pilocarpina” [Epilepsy Behav 2014 May 21;36C:68-73]

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Instituições Envolvidas: UNIFESP, Universidade Nove de Julho, Universidade Federal de São-João-del-Rei

Mantendo a linha de pesquisa em epileptogênese experimental, o grupo da Profa. Maria da Graça Naffah testou a eficácia de uma estatina sobre um modelo de epilepsia experimental. Segundo a autora, “a inflamação tem sido relacionada a várias doenças neurodegenerativas. Na epilepsia a inflamação tem sido associada aos processos geradores de crises (ictogênese) e na transformação de uma rede neuronal normal em uma rede ictal (epileptogênese). Dessa forma, esse trabalho mostrou que o tratamento de animais com a lovastatina, substância usada na redução da síntese do colesterol, está também relacionada com a diminuição da resposta inflamatória cerebral, induzida pelo estado de mal epiléptico (SE). Observamos que a lovastatina diminui a expressão de diversas citocinas pró-inflamatórias (IL-1 β, TNF-α, IL-6) e promove o aumento de uma citocina anti-inflamatória (IL-10) no hipocampo de ratos submetidos ao modelo de epilepsia induzido por pilocarpina”.

Link PubMed: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24857811

 

3) “Alterações funcionais e estruturais distintas na epilepsia do lobo temporal mesial com e sem esclerose hipocampal” [Epilepsia 2014 Jun 5. doi: 10.1111/epi.12670. [Epub ahead of print]]

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Instituições Envolvidas: UNICAMP

Mantendo a tradição das pesquisas em epilepsia do lobo temporal (ELT) do grupo do Prof. Fernando Cendes, na UNICAMP, o trabalho da colega Ana Carolina Coan avaliou as diferenças hemodinâmicas, através da metodologia BOLD, de pacientes com ELT com e sem esclerose hipocampal. Segundo a autora, “pacientes com epilepsia de lobo temporal apresentam uma extensa rede neuronal de dano estrutural, mas também de anormalidades funcionais ictais e inter-ictais. Este estudo demonstrou padrões específicos de alteração de atividade neuronal durante descargas epilépticas inter-ictais em pacientes com epilepsia de lobo temporal e sua complexa relação com os padrões de alterações estruturais. A melhor compreensão de biomarcadores estruturais e funcionais em diferentes epilepsias pode auxiliar a compreensão de resposta ao tratamento e co-morbidades nesses indivíduos”.

Link PubMed: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24903633

 

4) “Stenting versus endarterectomia de carótidas: desfechos cognitivos” [Ann Vasc Surg 2014 May;28(4):893-900]

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Instituições Envolvidas: UNICAMP

Os autores avaliaram os desfechos neuropsicológicos em pacientes que foram submetidos a dois modos de revascularização de artérias carótidas, colocação de stent e endarterectomia, através de testes neuropsicológicos. Segundo um dos autores, o Dr. Germano Oliveira, “a controvérsia entre endarterectomia e angioplastia carotídeas tem sido bastante discutida, especialmente considerando os desfechos clássicos (AVC, infarto e óbito). Acreditamos que, logo, as repercussões cognitivas resultantes destas intervenções poderão ser um aspecto importante na decisão entre uma técnica e a outra. Por causa disso, nós nos propusemos neste artigo a determinar a influência da revascularização carotídea sobre os vários domínios da cognição. Acreditamos que a comunidade da neurologia interessar-se-á em saber que os pacientes que se submeteram à angioplastia tenderam a atingir escores mais altos na função executiva e nos testes de memória operacional/atenção”.

Link PubMed: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24361382

 

5) “O escore SOS: um escore otimizado para detecção de apneia do sono obstrutiva em pacientes com AVC agudo” [Sleep Med 2014 May 22. pii: S1389-9457(14)00192-0. doi: 10.1016/j.sleep.2014.03.026. [Epub ahead of print]]

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Instituições Envolvidas: USP-RP

Um belo trabalho realizado por pessoas muito queridas, em especial o amigo e mestre Prof. Dr. Octávio Pontes-Neto e a ex-companheira de residência, Millene Camilo. Os autores, que atuam estudam as implicações da síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) na fase aguda de AVC’s, mostram a acurácia de um novo escore (Sleep Obstructive apnea score optimized for Stroke – SOS score) criado por eles para detecção de SAOS logo após a ocorrência do AVC, já que o uso de polissonografia se torna improvável na dia-a-dia. Em comparação com outros escores (questionário Berlin e a escala de sonolência de Epworth), o escore SOS mostrou valores de sensibilidade e especificidade em comparação aos outros dois escores, com melhor padrão na curva ROC.

Link PubMed: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24934142

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