Atualizações na Neurologia Brasileira – Jun e Jul/2014

Publicado: 31/07/2014 em Artigos Brasileiros
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1) “O S-TOFHLA como medida de alfabetismo funcional em pacientes com doenças de Alzheimer leve ou comprometimento cognitivo leve” [Arch Clin Neuropsychol. 2014 May;29(3):269-77]

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Instituições Envolvidas: USP-SP, Hospital Santa Marcelina

A correlação inversa entre escolaridade e declínio cognitivo é bem conhecida, porém usar o número de anos no ensino regular nem sempre indica o real grau de alfabetização dos indivíduos. A escala Short-Test of Functional Health Literacy in Adults (S-TOFHLA) surgiu como uma ferramenta para representar melhor o nível educacional das pessoas, e este estudo analisou sua acurácia em grupos de pessoas com doença de Alzheimer inicial, comprometimento cognitivo leve e controles normais. Os resultados mostram que ela pode ser usada de modo confiável apenas em indivíduos normais e com comprometimento cognitivo leve.

Link PubMed: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24503948

 

2) “Incidência de disfagia em pacientes submetidos à terapia de reperfusão cerebral após Acidente Vascular Cerebral” [J Stroke Cerebrovasc Dis. 2014 Jul;23(6):1524-8]

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Instituições Envolvidas: UNESP-Botucatu

Cada vez mais os benefícios da terapia trombolítica na fase aguda do AVC isquêmico são evidenciados por estudos clínicos, e este estudo avaliou especificamente se trombolisar um paciente reduzir o risco de ter disfagia grave e pneumonia.

Segundo Gustavo Luvizutto, o autor correspondente do trabalho, o objetivo do estudo foi investigar a gravidade e evolução da disfagia, e a ocorrência de pneumonia em pacientes submetidos à terapia de reperfusão cerebral após AVC isquêmico. Os principais achados do estudo foram: pacientes que não foram submetidos à trombólise teve maior ocorrência de grau moderado e grave de disfagia, além de maior ocorrência de pneumonia (28% x 11%). Os autores do estudo concluem que há menor gravidade de disfagia e incidência de pneumonia em pacientes que são submetidos à terapia de reperfusão cerebral.

Link PubMed: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24582786

 

3) “Efeitos de pistas externas nos parâmetros de marcha dos pacientes com doença de Parkinson: uma revisão sistemática” [Clin Neurol Neurosurg. 2014 Jul 5;124C:127-134]

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Instituições Envolvidas: UNIFESP

A curiosa associação entre pistas externas (como marcações no chão, sinais sonoros) e a melhora do desempenho da marcha em pessoas com doença de Parkinson já foi largamente explorada, e os autores deste trabalhos realizaram uma extensa revisão sistemática da literatura existente sobre o tema.

Segundo Priscila Rocha, a autora correspondente do artigo, o uso de pistas resulta em melhoras no comprimento do passo, velocidade, cadência, comprimento da passada. As pistas visuais provocam melhorias significantes na velocidade, cadência e comprimento do passo, enquanto as auditivas foram efetivas no aumento do comprimento do passo e velocidade. As pistas sensoriais (proprioceptivas) mostram benefícios significantes na velocidade, cadência e comprimento da passada, enquanto que com o uso de pistas combinadas (visual + auditiva) proporciona maiores ganhos na UPDRS III do que na velocidade. Conclui-se que o uso de pistas externas é efetivo para a melhora dos parâmetros de marcha de pacientes com Doença de Parkinson, havendo melhora do freezing, do desempenho psicomotor avaliados pelo FOGQ e UPDRS III, respectivamente.

Link PubMed: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25043443

 

4) “Comparação clinicorradiológica entre parkinsonismo vascular e doença de Parkinson” [J Neurol Neurosurg Psychiatry. 2014 Jul 8. pii: jnnp-2014-307867. doi: 10.1136/jnnp-2014-307867. [Epub ahead of print]]

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Instituições Envolvidas: UFMG, Universidade Federal de Juiz de Fora

Este belo trabalho trabalho explorou as diferenças clínicas e radiológicas entre a doença de Parkinson e o parkinsonismo de origem vascular, menos comum, que pode eventualmente se tornar um problema como diagnóstico diferencial.

Segundo Thiago Cardoso Vale, um dos autores do trabalho, a literatura atual sobre parkinsonismo vascular é escassa quando comparada às outras síndromes parkinsonianas. Os estudos não utilizaram critérios diagnósticos uniformes e os maiores estudos clínicos e patológicos envolveram, respectivamente, apenas 69 e 24 pacientes com parkinsonismo vascular. Diante desse cenário, o estudo em destaque objetivou detectar as principais diferenças clínicas e radiológicas que separam o parkinsonismo vascular da doença de Parkinson. Estudar essas diferenças é relevante devido às implicações terapêuticas e prognósticas.

Link PubMed: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25006209

 

5) “Declínio em memória não está necessariamente associado à frequência de crises na epilepsia do lobo temporal mesial com esclerose hipocampal” [Epilepsia. 2014 Jun 24. doi: 10.1111/epi.12691. [Epub ahead of print]]

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Instituições Envolvidas: UNICAMP

As epilepsias do lobo temporal mesial com esclerose hipocampal são conhecidas pelos efeitos de déficits de memória nos pacientes ao longo da vida, contudo a associação entre frequência de crises e declínio de memória não está bem estabelecida, e este trabalho buscou resolver esta lacuna de conhecimento.

Na análise de Denise Pacagnella, uma das autoras do trabalho, ao comparar o desempenho de memória entre pacientes com crises infrequentes (resposta adequada ao tratamento clínico) e pacientes com crises frequentes, observamos que ambos os grupos apresentavam déficits significativos de memória, porém não houve diferença entre os grupos. Estes achados sugerem que os déficits de memória observados provavelmente estejam mais associados à atrofia hipocampal, como já demonstrado na literatura, do que à frequência de crises. Neste contexto, ressaltamos a importância do acompanhamento dos pacientes com Epilepsia de Lobo Temporal associada à atrofia hipocampal mesmo quando há baixa frequência de crises.

Link PubMed: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24962348

 

6) “Memória visual em músicos e não-músicos” [Front Hum Neurosci. 2014 Jun 26;8:424]

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Instituições Envolvidas: UFMG

As habilidades quase sobre-humanas de alguns músicos virtuosos gera há muito tempo um fascínio sobre suas capacidades cognitivas, incluindo o processamento visual, e estes autores puderam analisar a memória visual de um grupo de músicos. Segundo Ana Carolina Rodrigues, uma das autoras do estudo, o objetivo do presente estudo consistiu em investigar se o treinamento musical prolongado pode ser associado a aumento da capacidade de memória visual. Nossos resultados não mostram evidências de maior capacidade mnemônica em músicos, em relação a não-músicos. Contudo, os dados sugerem que o treinamento musical pode estar associado a melhor integração sensório-motora, bem como a maior eficiência dos processos atencionais.

Link PubMed: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25018722

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