Atualizações em Neurologia Cognitiva – Set/14

Publicado: 06/10/2014 em Neurologia Cognitiva
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Sinais neurológicos de possível valor diagnóstico em uma clínica de distúrbios cognitivos

(“Neurological signs of possible diagnostic value in the cognitive disorders clinic”)

Larner AJ

Pract Neurol. 2014 Oct;14(5):332-335

Abstract: Não há.

Comentário: Este artigo de revisão tentou mostrar ao clínico alguns sinais (ou seja, determinadas informações que nós observaremos) no contexto de um ambulatório de distúrbios cognitivos. Estas seriam maneiras de separar três grupos de pacientes: aqueles com queixas subjetivas de memória e baixo potencial patológico, os que têm queixas de memória e possíveis comorbidades tratáveis (transtornos psiquiátricos, distúrbios do sono), e os indivíduos que estão iniciando uma doença neurológica. Através de interessantes sinais semióticos observados ao longo da sua carreira, o Prof. Larner mostra como o clínico atento pode melhorar seus métodos de inferência em Neurologia Cognitiva. Ressalto aqui os três interessantes sinais que o autor descreve: o sinal do paciente que vem à consulta sozinho, o sinal de olhar para o acompanhante quando questionado e o sinal do aplauso. Ótimo artigo!

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24557019

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Prática clínica. Depressão na terceira idade

(“Clinical practice. Depression in the elderly”)

Taylor WD

N Engl J Med. 2014 Sep 25;371(13):1228-36

Abstract: Não há.

Comentário: Mesmo não sendo um artigo de Neurologia, acredito que seja obrigação do neurologista que atende pessoas idosas entender, diagnosticar e iniciar as primeiras medidas antes de encaminhar o paciente à Psiquiatria. Neste artigo de revisão do New England Journal of Medicine, o autor mostra que é uma condição muito frequente no idoso, associada principalmente às comorbidades clínicas e perdas pessoais que indivíduos nesta faixa etária costumam estar expostos, além de reforçar os critérios de episódio depressivo maior do novo DSM-5. Quanto ao tratamento, os inibidores seletivos de receptação de serotonina (principalmente a sertralina e o escitalopram) ainda são o grupo de primeira linha, e as formas de psicoterapia (cognitivo-comportamental, baseada em problemas, interpessoal) podem ser usadas também como primeira terapia. O uso de antidepressivos por longos períodos vai estar associado principalmente a episódios depressivos prévios e fatores de gravidade (potencial suicida e sintomas psicóticos). Importante comentar sobre a menor resposta antidepressiva das drogas nos idosos com déficits cognitivos. Leitura fundamental!

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25251617

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Atenção! Um bom teste de beira de leito para delirium?

(“Attention! A good bedside test for delirium?”)

O’Regan NA, Ryan DJ, Boland E, Connolly W, McGlade C, Leonard M, Clare J, Eustace JA, Meagher D, Timmons S

J Neurol Neurosurg Psychiatry. 2014 Oct;85(10):1122-31

Abstract: Introdução: A rotina de triagem para delirium poderia melhorar a detecção desta condição, mas ainda é pouco claro qual ferramenta de triagem seria a mais adequada. Nós testamos a acurácia diagnóstica dos seguintes métodos de triagem (individualmente ou em combinação) na detecção de delirium: o MDATF (meses do ano de trás para frente); o SSA (Spatial Span Forward); evidência de “confusão” objetiva ou subjetiva. Métodos: Nós realizamos um estudo transversal com pacientes adultos internados por causas gerais em um grande hospital terciário de referência. Os testes de triagem foram realizados por médicos estagiários. Após, duas avaliações independentes e formais para delirium foram feitas: a primeira, com o “Confusion Assessment Method” (CAM), seguido pela escala de delirium revisada 98 (DRS-R98). Os critérios do DSM-IV foram usados para se estabelecer o diagnóstico de delirium. A sensibilidade e especificidade com intervalos de confiança 95% foram calculados para cada método de triagem. Resultados: 265 pacientes foram incluídos. O método de triagem mais preciso sobre todos foi alcançado através da performance simultânea do MDATF e avaliação de confusão subjetiva/objetiva (sensibilidade 93,8%, IC95% 82-98; especificidade 84,7%, IC95% 79-89). Em pacientes mais velhos, o MDATF sozinho foi o teste mais acurado, enquanto que em pacientes mais jovens, a combinação simultânea do SSF com MDATF ou avaliação de confusão subjetiva/objetiva foi o melhor teste. Em cada caso, o acréscimo do CAM como triagem de segunda linha aumentou a especificidade, porém com alguma perda de sensibilidade. Conclusões: Nossos resultados sugerem que os testes de atenção simples podem ser úteis como triagem de delirium. O MDATF usado sozinho foi o teste de triagem mais acurado em pessoas mais idosas.

Comentário: Neste trabalho, os autores exploraram as possibilidades de se ter um bom teste para detecção de delirium, que possa ser feito rapidamente, por qualquer profissional da saúde e sem treinamento prévio. Após um estudo bem-feito, os autores chegaram à conclusão que um conhecido teste das baterias neuropsicológicas é o mais eficaz em reconhecer delirium em idosos: a contagem dos meses do ano, de trás para frente. Basicamente, nós pedimos à pessoa para falar os meses do ano, começando por dezembro e terminando em janeiro; caso a pessoa consiga falar até julho (6 itens) na ordem inversa, o teste foi bem sucedido. O teste demora menos que um minuto para ser feito e não exige grande treino do aplicador.  Este simples teste detectou delirium com ótima sensibilidade e especificidade muito boa. Obviamente, foi um estudo conduzido fora do Brasil, e não foi explorado o quanto a escolaridade pode influenciar neste teste. Além disso, pessoas com algum déficit de linguagem (como pessoas afásicas) não conseguiriam realiza-lo. Apesar destas questões, penso que o MDATF deva ser mais divulgado como instrumento de detecção de delirium em idosos e outras pessoas em risco (p.ex., estado pré e pós-operatório) por clínicos e por enfermeiros. ARTIGO GRATUITO NO LINK ABAIXO!

Link: http://jnnp.bmj.com/content/85/10/1122.full.pdf+html

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