Atualizações em Cefaleias – Out/14

Publicado: 24/11/2014 em Cefaleias
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Injeção de pontos-gatilho para cefaleias: consenso de metodologia de especialistas e revisão narrativa 

(“Trigger point injections for headache disorders: expert consensus methodology and narrative review”)

Robbins MS, Kuruvilla D, Blumenfeld A, Charleston L 4th, Sorrell M, Robertson CE, Grosberg BM, Bender SD, Napchan U, Ashkenazi A

Headache. 2014 Oct;54(9):1441-59

Abstract: Objetivo/Introdução: Revisar a literatura existente e descrever uma metodologia padronizada por um consenso de especialistas para a performance das injeções de pontos-gatilhos (IPG) no tratamento de cefaleias. Apesar de seu uso disseminado, a eficácia, segurança e metodologia das IPG não tem sido revisadas especificamente para as cefaleias, por especialistas. Métodos: A Seção de Bloqueios de Nervo Periférico e Outros Procedimentos Intervencionais da Sociedade Americana de Cefaleia, através de uma série de reuniões, chegou a um consenso para nomenclatura, indicações, contraindicações, precauções, detalhes de procedimento, desfechos e efeitos adversos para o uso de IPG no tratamento das cefaleias. Um subcomitê da Seção também revisou a literatura. Resultados: As indicações para IPG podem incluir muitos tipos de cefaleias episódicas e crônicas, primárias ou secundárias, com a presença de pontos-gatilhos (PG) no exame físico. As contraindicações podem incluir infecções, defeitos de fechamento local no crânio ou alergias aos anestésicos, e precauções são necessárias no contexto de uso de anticoagulantes, gestação e obesidade com falta de referências anatômicas. Os músculos mais comumente escolhidos para IPG incluem o trapézio, o esternocleidomastoideo e os temporais, e os agentes anestésicos mais usados são a lidocaína e bupivacaína. Os efeitos adversos são geralmente leves quando se realiza uma seleção cuidadosa dos pacientes, contudo o pneumotórax e outros efeitos adversos graves tem sido raramente relatados. Conclusões: Quando realizado no contexto apropriado e com a técnica adequada, as IPG parecem ter um papel no tratamento adjuvante da maioria das cefaleias comuns. Nós esperamos que nossos esforços para caracterizar a metodologia das IPG, por um painel de especialistas baseado em informações publicadas, motive a realização de protocolos de tratamento padronizados e baseados em evidência. .

Comentário: Na minha formação em Neurologia, tive a sorte de frequentar um ambulatório de Cefaleias que nos ensinou a identificação semiológica de pontos-gatilhos e de sua importância principalmente no contexto das cefaleias primárias refratárias. Ainda hoje, o uso de injeções/infiltrações nestes pontos-gatilhos é uma arma fundamental no meu arsenal terapêutico para as cefaleias, assim como na de vários neurologistas brasileiros. Contudo, a literatura sobre este tratamento é esparsa, e esta excelente revisão feita pela Sociedade Americana de Cefaleia considerou todos estes dados existentes e os transformou em uma tentativa de consenso para a realização desta técnica. Este texto é fundamental para os que já realizam este tratamento, e extremamente informativo para aqueles que desejam aprender as técnicas. Leitura fundamental para todos!

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25168295

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Uma abordagem prática para diagnóstico, avaliação e manejo da hipertensão intracraniana idiopática

(“A practical approach to, diagnosis, assessment and management of idiopathic intracranial hypertension”)

Mollan SP, Markey KA, Benzimra JD, Jacks A, Matthews TD, Burdon MA, Sinclair AJ

Pract Neurol. 2014 Dec;14(6):380-390

Abstract: Pacientes adultos que apresentam papiledema e sintomas de hipertensão intracraniana precisam de uma avaliação multidisciplinar urgente, incluindo neuroimagem, para se excluir causas fatais. Quando não há aparente causa para a hipertensão intracraniana, os pacientes são diagnosticados como portadores de hipertensão intracraniana idiopática (HII). A incidência de HII está aumentando diretamente com a epidemia global de obesidade. Existem questões controversas em seu diagnóstico e manejo. Este artigo fornece uma abordagem prática na avaliação de pacientes com papiledema, de sua investigação e do tratamento da HII .

Comentário:  Este ótimo artigo de revisão faz uma abordagem muito prática do diagnóstico da HII, porém foca principalmente nos aspectos oftalmológicos da doença, com poucas palavras sobre o manejo da cefaleia nesta condição. Destaque para o modo didático que os autores usaram para explicar o papiledema e as situações de pseudopapiledema, com varias imagens explicativas. Imperdível!

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24809339

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O uso de dihidroergotamina (DHE) deve ser restrito a não mais que duas vezes por semana

(“Use of Dihydroergotamine (DHE) Should Be Restricted to No More Than Twice a Week”)

Tfelt-Hansen PC, Diener HC

Headache. 2014 Oct;54(9):1523-5

Abstract: Não há.

Comentário: A indústria farmacêutica está prestes a lançar nos EUA uma forma de derivado ergótico inalado oralmente para tratamento de crises de migrânea (Migranal). Os autores deste pequeno artigo de opinião, considerando a experiência conhecida de cefaleia por abuso de analgésicos causada por ergóticos orais, alertam para os médicos prescritores e para as autoridades farmacêuticas que devem ser criteriosos ao orientar o uso desta medicação, sugerindo que os pacientes não devem usar esta droga mais que duas vezes por semana, assim como para os ergóticos orais. Esta ressalva foi feita pelo fato da bula da medicação Migranal não comentar sobre riscos de abuso nem sobre uma posologia ideal para se evitar o abuso de analgésicos.

Apenas lembrando: esta sugestão de uso máximo de ergóticos duas vezes por semana também serve para as conhecidas e famosas associações comuns no mercado brasileiro, como Cefalium e Cefaliv.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24862945

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