Atualizações na Neurologia Brasileira – Out-Nov/14

Publicado: 14/12/2014 em Artigos Brasileiros
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1) “Dimorfismo sexual no bulbo olfatório humano: mulheres têm mais neurônios e células gliais que homens” [PLoS One. 2014 Nov 5;9(11):e111733]

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Instituições Envolvidas: UFRJ, USP-SP

Este trabalho é mais um feliz fruto da cooperação entre o Laboratório de Neuroplasticidade da UFRJ, detentora da exclusiva técnica do fracionador isotrópico (metodologia que permite uma contagem mais acurada de estruturas celulares), e o Banco de Encéfalos do Hospital das Clínicas da USP-SP. Neste artigo, os autores mostraram que há uma diferença entre mulheres e homens no número de neurônios e células da glia do bulbo olfatório humano.
Segundo o coordenador da pesquisa, Prof. Roberto Lent (que influenciou toda uma geração de neurocientistas – como eu – através de seu clássico Cem Bilhões de Neurônios), esta diferença pode explicar o motivo de mulheres apresentarem habilidades olfatórias superiores às dos homens. Obviamente, ter mais neurônios não é sinônimo de superioridade em funções, porém mais neurônios pode contribuir para uma maior complexidade de redes neurais. O artigo pode ser lido na íntegra e GRATUITAMENTE no link abaixo.

Link do Artigo GRATUITO: http://dx.plos.org/10.1371/journal.pone.0111733

 

2) “Transtorno comportamental do sono REM: o quanto é útil no diagnóstico diferencial dos parkinsonismos?” [Clin Neurol Neurosurg. 2014 Dec;127:71-4]

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Instituições Envolvidas: UFPR

Trabalho realizado no Ambulatório de Transtornos de Movimento da UFPR, tentou explorar a presença de transtorno comportamental do sono REM (TCREM) como uma ferramenta para melhorar o diagnósticos de parkinsonismos, tanto por sinucleinopatias (doença de Parkinson, atrofia de múltiplos sistemas, demência por corpos de Lewy) quanto por taupatias (paralisia supranuclear progressiva, síndrome corticobasal).

Segundo o Dr. Renato Munhoz, os resultados mostraram que TCREM foi muito comum nas sinucleinopatias (com frequências maiores que 50% da casuística), menos comum na paralisia supranuclear progressiva (36%) e apenas um caso com síndrome corticobasal. Usar a presença de TCREM no diagnóstico tem uma sensibilidade de 69% e especificidade de 68%, resultados que comprometem seu uso com este fim, mesmo com um bom valor preditivo positivo.

Link PubMed: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25459246

 

3) “Desfechos desfavoráveis durante o tratamento da esclerose múltipla com altas doses de vitamina D” [J Neurol Sci. 2014 Nov 15;346(1-2):341-2]

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Instituições Envolvidas: Várias

Através da experiência multicêntrica de especialistas em Esclerose Múltipla, coordenados pela Prof. Yara Dadalti, esta pequena publicação evidenciou em uma série da casos (21 pacientes de várias regiões do Brasil) complicações clínicas em pacientes portadores de Esclerose Múltipla submetidos a altas doses de vitamina D (doses variando de 8000 UI/dia a 150000 UI/dia) em um período variável de um mês a três anos.  Segundo o Dr. Marcus Vinicius Gonçalves, nosso colaborador do JEAN e um dos autores do trabalho, destes pacientes, 19 suspenderam totalmente o tratamento imunomodulador especifico para a doença após iniciar a terapia de superdosagem da vitamina D e os resultados foram preocupantes: 17 dos 21 pacientes submetidos a altas doses de vitamina D pioraram seus status clínico (surtos e piora na escala do EDSS), bem como o padrão de imagem neste período. Interessante que 64% destas novas manifestações neurológicas se encontravam topograficamente no tronco encefálico ou na medula espinhal, denotando a gravidade clínica dos novos eventos e justificando a piora das escalas funcionais. Além da piora evolutiva da doença, dois pacientes apresentaram crises convulsivas, um paciente apresentou sintomas gastrointestinais incapacitantes, cinco pacientes apresentaram hipercalcemia, e a complicação clínica mais grave, insuficiência renal, foi apresentada por 3 pacientes. Estes dados, apesar de um número reduzido de pacientes, evidencia os riscos em relação ao tratamento indiscriminado com a superdosagem desta vitamina. A extensão deste estudo com a inclusão de novos pacientes de novos centros já está acontecendo, em breve novos dados serão publicados.

Link PubMed: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25183235

 

4) “Utilidade e limitações da reação em cadeia da polimerase no diagnóstico etiológico da neurotoxoplasmose em pacientes imunodeficientes” [J Neurol Sci. 2014 Nov 15;346(1-2):231-4]

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Instituições Envolvidas: USP-RP

O diagnóstico de neurotoxoplasmose geralmente é simples para o neurologista, contudo há casos onde a apresentação clínica, uma resposta terapêutica inadequada e os achados de imagem podem nos trazer pouco esclarecimento. Nestes casos, podemos utilizar de técnicas de detecção do parasita no líquido cefalorraquidiano (LCR) dos pacientes. Segundo a autora do trabalho, Lívia Maria Anselmo, o desempenho e a melhor indicação da reação em cadeia da polimerase (PCR) para detectar o DNA T. gondii em amostras de LCR foram analisados em 79 pacientes imunodeficientes com diagnóstico clínico de neurotoxoplasmose, cuja a coleta do LCR tenha sido realizada até o sétimo dia de tratamento especifico. A sensibilidade e especificidade da PCR foi de 48,1% e 100%, respectivamente, entretanto a sensibilidade aumenta para 86,6% nos casos em que a coleta do LCR é realizada até o sétimo dia de tratamento especifico. Estes resultados sugerem a PCR no diagnóstico da neurotoxoplasmose pode ser útil, contato que seja realizada nos primeiros sete dias após início do tratamento.

Link PubMed: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25240445

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