Migrânea vestibular

(“Vestibular migraine”)

Stolte B, Holle D, Naegel S, Diener HC, Obermann M

Cephalalgia. 2015 Mar;35(3):262-270

Abstract: Introdução: A combinação de vertigem, tontura e desequilíbrio com migrânea é geralmente chamada de migrânea vestibular. Mesmo com a estimativa de que 1% da população geral tenha esta doença, ela ainda é amplamente desconhecida e frequentemente diagnosticada. Recentemente, a International Headache Society e a Sociedade Báràny publicaram o primeiro documento em conjunto com critérios diagnósticos mutuamente aceitos para migrânea vestibular. Método: Esta revisão resumiu o conhecimento atual em migrânea vestibular no que tange à epidemiologia, apresentação clínica, fisiopatologia, diagnóstico diferencial e opções terapêuticas. Resultados: Aproximadamente 30 a 50% dos pacientes com migrânea referem vertigem, tontura ou desequilíbrio em pelo menos uma crise de migrânea. A migrânea vestibular frequentemente surge com um intervalo de tempo da primeira cefaleia migranosa. Em alguns pacientes, os sintomas de desequilíbrio súbito foram mais importantes e preocupantes do que a dor de cabeça. A duração das crises varia de poucos segundos a até alguns dias. A fisiopatologia da migrânea vestibular é ainda bem desconhecida. Um diagnóstico diferencial importante, a doença de Ménière, deve ser considerada e excluída. Conclusão: Já que há falta de ensaios randomizados e controlados de tratamentos na migrânea vestibular, as recomendações terapêuticas deve se basear nos consensos gerais de migrânea.

Comentário: Migrânea e vertigem são coisas muito próximas. Mesmo não sendo um critério diagnóstico oficial, como foto/fonofobia, é comum usarmos a presença de vertigem ou outros sintomas vestibulares para dar mais credibilidade a nossos diagnósticos de migrânea. Esta relação é tão forte que, nos últimos anos, parte da comunidade cefaliátrica mundial vem sentindo a necessidade de criar mais um tipo específico de migrânea, a “migrânea vestibular”. Esta entidade não é oficialmente descrita na IHC-2, mas provavelmente será na terceira edição da classificação. Este belo artigo de revisão analisa aspectos epidemiológicos, fisiopatológicos e clínicos desta nova variante de migrânea, além de explorar bastante a associação do fenômeno vestibular no contexto da migrânea. Os autores comentam sobre os diagnósticos diferenciais, geralmente as causas mais comuns de síndrome vestibular periférica (vertigem paroxística posicional benigna, doença de Ménière, neuronite vestibular) e central (como ataques isquêmicos transitórios). Ótima leitura!

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24847169

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Bloqueio de nervo para o tratamento de cefaleias e neuralgias cranianas – uma abordagem prática

(“Nerve block for the treatment of headaches and cranial neuralgias – a practical approach”)

Dach F, Éckeli ÁL, Ferreira Kdos S, Speciali JG

Headache. 2015 Feb;55 Suppl 1:59-71

Abstract: Introdução: Vários estudos têm apresentado evidências de que o bloqueio de nervos periféricos é eficaz no tratamento de algumas cefaleias e neuralgias cranianas, resultando em redução de frequência de crises, intensidade e duração das dores. Objetivos: Neste artigo, nós descrevemos o papel do bloqueio de nervo no tratamento das cefaleias e neuralgias cranianas, assim como a experiência de um centro de cefaleias terciário neste assunto. Nós relatamos também marcos anatômicos, técnicas, materiais usados, contraindicações e efeitos adversos do bloqueio de nervo periférico, assim como os mecanismos de ação da lidocaína e da dexametasona. Conclusões: O bloqueio de nervo pode ser usado em cefaleias primárias (migrânea, cefaleia em salvas, cefaleia numular) e secundárias (neuralgia do trigêmeo, do glossofaríngeo e occipital). Em algumas destas cefaleias, este procedimento é necessário tanto para diagnóstico quanto para tratamento, enquanto que em outras é apenas um tratamento adjuvante. O bloqueio do nervo occipital maior com anestésico e corticoide tem provado ser eficaz no tratamento da cefaleia em salvas. No que tange o tratamento de outras cefaleias e neuralgias cranianas, estudos controlados ainda são necessários para esclarecer o real papel do bloqueio de nervo periférico.

Comentário: Este é um dos melhores artigos didáticos sobre infiltração de nervos do segmento cefálico para tratamento de cefaleia que já vi. E o melhor: escrito pelas pessoas que me ensinaram Cefaleia, a Profa. Fabíola Dach e o grande mestre Prof. José Geraldo Speciali. O artigo revisa desde as bases anatômicas, fisiológicas e farmacológicas do procedimento, indo à explanação detalhada das técnicas de aplicação, e comentando sobre os estudos que avaliaram a eficácia do método em cada tipo de cefaleia. Para os médicos residentes que passaram pelo Ambulatório de Cefaleias da USP de Ribeirão Preto, estas técnicas já são bem conhecidas, porém este é um tema de grande relevância que merece ser alvo de um artigo de revisão. O fato de a prestigiada revista Headache ter escolhido este serviço para divulgar sua experiência nesta técnica terapêutica ao mundo é motivo de muito orgulho para todos nós. Leitura IMPERDÍVEL para qualquer neurologista.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25644836

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Disfunção temporomandibular e cefaleias

(“Temporomandibular dysfunction and headache disorder”)

Speciali JG, Dach F

Headache. 2015 Feb;55 Suppl 1:72-83

Abstract: Já é bem estabelecido que cefaleias primárias (especialmente migrânea, migrânea crônica e cefaleia do tipo tensional) e disfunção temporomandibular (DTM) são doenças comórbidas, com a presença de uma delas aumentando a prevalência da outra. A relação entre estas duas doenças pode envolver o compartilhamento de aspectos fisiopatológicos comuns. Estudos sobre o tratamento desta associação de doenças têm mostrado que uma abordagem terapêutica para as duas doenças é mais eficaz do que o tratamento separado de cada uma. Como consequência, os especialistas em dor orofacial precisam conhecer os critérios para o diagnóstico de cefaleia, e médicos cefaliatras precisam saber os aspectos semiológicos da dor orofacial. Apesar disso, uma cefaleia pode ser atribuída à DTM, ao invés de estar associada a dois problemas – DTM e cefaleias primárias – sendo nestes casos uma cefaleia secundária, descrita no item 11.7 da Classificação Internacional das Cefaleias, e isto ainda é um ponto controverso. A conclusão que pode ser alcançada, baseada nos poucos estudos publicados, é que esta cefaleia tem uma localização preferencial unilateral ou bilateral pela região temporal, e apresenta características semelhantes às da migrânea ou da cefaleia do tipo tensional. Nesta presente revisão, nós consideraremos os principais aspectos da relação DTM-cefaleia, ou seja, da comorbidade entre cefaleias primárias e DTM, e os aspectos clínicos das cefaleias atribuídas à DTM do ponto de vista da Sociedade Internacional de Cefaleia e do grupo de especialistas em dor orofacial. Este artigo visa explorar nossa compreensão da associação entre DTM e cefaleias em geral (e a migrânea, em particular).

Comentário: Na mesma edição deste suplemento da Headache, mais um artigo escrito pelo Prof. Speciali e pela Fabíola sobre um tema também muito discutido no Ambulatório de Cefaleias no HC de Ribeirão: a associação entre cefaleia e DTM.  Este artigo de revisão aborda principalmente dois pontos: a comorbidade entre DTM e cefaleias primárias (principalmente migrânea) e a cefaleia secundária causada por DTM. Na primeira situação, já é bem definido na literatura que pessoas com DTM apresentam maior frequência de cefaleia, e que pessoas com cefaleias primárias têm mais DTM. Do ponto de vista da entidade “cefaleia secundária à DTM”, os critérios diagnósticos atualizados da versão beta da ICH-3 mostram que esta dor se diferencia das outras por ser evocada com manobras de estresse da articulação temporomandibular (ATM), como palpação da ATM, abertura máxima da boca e movimentos laterais / protrusão de mandíbula. Além disso, tendem a se localizar especificamente na região temporal do crânio, uni ou bilateralmente, ou características de migrânea ou cefaleia tipo tensional. Os autores reforçam que os neurologistas também devem estar familiarizados com os métodos semiológicos usados para avaliação da função da ATM.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25644695

 

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