Atualizações em Cefaleias – Mar-Abr/15

Publicado: 19/05/2015 em Cefaleias
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Tratamento farmacológico da migrânea durante gravidez e lactação

(“Pharmacological treatment of migraine during pregnancy and breastfeeding“)

Amundsen S, Nordeng H, Nezvalová-Henriksen K, Stovner LJ, Spigset O

Nat Rev Neurol. 2015 Mar 17

Abstract: A migrânea afeta até 25% das mulheres em idade reprodutiva. Na maioria destas mulheres, a migrânea melhora progressivamente durante a gestação, mas os sintomas geralmente pioram logo após o parto. Como a migrânea tratada de modo inadequado durante a gestação pode ter consequências negativas tanto para a mulher quanto para o feto, o objetivo primário dos clínicos deveria ser fornecer um tratamento ideal de acordo com o estágio da gravidez, minimizando assim possíveis riscos relacionados ao tratamento medicamentoso. As abordagens não-farmacológicas são sempre o tratamento de primeira linha, e deveriam ser usados para complementar qualquer tratamento medicamentoso necessário. O paracetamol é a droga preferida para o tratamento agudo [das crises] durante a gestação. Se o paracetamol não for suficientemente eficaz, o uso esporádico de sumatriptano pode ser considerado. Os anti-inflamatórios não-esteroidais, como ibuprofeno, podem ser usados apenas em circunstâncias específicas, já que seu uso no primeiro e no terceiro trimestre está associado com riscos e contraindicações específicas. O tratamento profilático deveria ser apenas considerado nos casos mais graves. Em mulheres com programação de engravidar, o aconselhamento é essencial para se promover uma situação segura e saudável na gestação e no período pós-parto para mãe e bebê, e deveria envolver um diálogo sobre dúvidas da mãe e expectativas sobre o tratamento medicamentoso. Esta revisão resume as evidências atuais sobre a segurança das medicações antimigranosas mais comuns durante a gestação e a lactação, e fornece recomendações de tratamento para seu uso na prática clínica.

Comentário: Uma das revisões mais completas sobre tratamento medicamentoso da migrânea na gestação e lactação. Todo neurologista sabe o quanto estas informações são valiosas, já que grande parte dos pacientes com migrânea que atendemos são mulheres em idade fértil; logo, ter mulheres grávidas ou lactando precisando de tratamento de migrânea é bem comum. Vou ressaltar os pontos-chaves:

1) Tratamento abortivo:

– A medicação mais segura continua sendo o paracetamol;

– Dos triptanos, o sumatriptano é a medicação mais bem estudada e mais segura. Quanto aos outros triptanos, há relatos de malformações por distúrbios vasculares;

– Opioides fracos, como codeína, são naturalmente pouco eficazes em migrânea, mas podem ser usados de modo esporádico. Lembrar-se do risco de dependência e depressão respiratória do bebê com uso próximo ao termo;

– Os anti-inflamatórios não-esteroidais NÃO devem ser usados no primeiro trimestre da gestação (risco de malformações) e nem no terceiro trimestre (risco de fechamento precoce no ductus arteriosus). Se for usar, o segundo trimestre é o momento mais seguro;

NUNCA usar derivados ergóticos;

2) Tratamento profilático:

– Os beta-bloqueadores (propranolol, metoprolol) são as medicações mais seguras para uso na gestação. Lembrar que eles podem causar bradicardia fetal quando usados próximos ao termo. Sempre usar na menor dose possível;

– Dentre os antidepressivos tricíclicos, a amitriptilina é a medicação mais estudada durante a gestação. Há relatos de teratogenicidade no seu uso, mas os resultados são controversos. Também foi visto um aumento de risco de pré-eclâmpsia com uso de amitriptilina, assim como alguns efeitos sobre o neonato (nascimento pré-termo, distúrbios respiratórios, hipoglicemia). Mesmo assim, usa-se a amitriptilina como o profilático de segunda linha, caso não se possa usar o beta-bloqueador;

NÃO se aconselha o uso dos antiepiléticos (topiramato e ácido valproico);

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25776823

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Cefaleia em facadas primária e secundária

(“Primary and secondary stabbing headache”)

Robbins MS, Evans RW

Headache. 2015 Apr;55(4):565-70

Abstract: Oito de 33 casos de cefaleia em facadas primária vistos em uma clínica de Neurologia geral nos últimos três anos e meio (40% tem a cefaleia como sua principal queixa) são apresentados. A epidemiologia, associação com outras cefaleias primárias, causas secundárias, exames e tratamento da cefaleia em facadas primária são revistas.

Comentário: A cefaleia em facadas (também conhecida como “icepick headache”) é uma cefaleia comum e subdiagnosticada, em minha opinião. Segundo a IHC-3ª Edição (versão beta), estes são os critérios desta cefaleia:

a) Cefaleia ocorrendo espontaneamente como uma “facada” única ou uma série de “facadas”;

b) Cada “facada” dura poucos segundos;

c) Não há sintomas autonômicos cranianos;

d) Não há outro diagnóstico que explique melhor os sintomas;

Esta curta revisão comenta aspectos gerais deste tipo de cefaleia, ilustrado com oito casos. De coisas interessantes, as causas secundárias mais associadas a esta cefaleia são as encefalites, neoplasias e vasculites; os autores não sugerem exames de imagem para qualquer paciente com esse tipo de dor, exceto nos casos onde existam “red flags”. Outro dado importante é a comum associação da cefaleia em facadas com outras cefaleias primárias, como migrânea e cefaleia tipo tensional. A cefaleia em facadas tem boa resposta com o uso da indometacina. Texto rápido e útil!.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25833327

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Aplicação de patch cutâneo de capsaicina 8% na dor neuropática da cabeça e face: uma série de casos

(“Application of the capsaicin 8% cutaneous patch in neuropathic pain of the head and face: A case series”)

Gaul C, Resch S

Cephalalgia. 2015 May;35(6):545-50

Abstract: Introdução: O tratamento de dor neuropática ou neurálgica de cabeça e face por lesões dentárias, traumáticas e cirúrgicas ou neuropatia pós-herpética é sempre desafiante. Casos: Nós estamos relatando quatro pacientes com síndromes álgicas neuropáticas tratadas com sucesso, com patch de capsaicina 8% na área afetada na cabeça e face. Discussão: O tratamento com patch de capsaicina 8% parece ser eficaz e seguro para aplicação na região facial e da cabeça. O patch de capsaicina 8% pode ser uma opção terapêutica adicional, se o tratamento de primeira linha com anticonvulsivantes ou antidepressivos foi ineficaz ou limitados por efeitos adversos.

Comentário: O tratamento de dor neuropática, em geral, é desafiador na prática clínica. O uso de capsaicina tópica é uma opção que vem sendo tentada em algumas síndromes álgicas, como o tratamento de cefaleia numular, com resultados variados. Esta nova forma de capsaicina em alta concentração (8%) em forma de patch, foi testada em quatro pacientes com dor neuropática refratária por causas diversas, com bons resultados e boa segurança. Parece uma boa tendência de tratamento adjuvante.

Link: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25217483

comentários
  1. João Segundo disse:

    Parabéns pelos artigos selecionados! Interessante sempre lembrar, em Gestantes com cefaleias, de realizar exame físico cefaliatrico pois podemos, por exemplo, ajudá-las com bloqueios de nervos occipitais com lidocaina ou bloqueios miofasciais, que são técnicas seguras. Recentemente atendi uma gestante com Cefaleia devido a Pontos gatilhos miofasciais que se resolveu com Ciclonenzaprina (categoria B) e alongamentos e já tive a oportunidade de atender no R4 uma gestante com melhora por meses com bloqueio de nervo occipital.

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