Atualizações em Cefaleias – Jan/17

Publicado: 27/01/2017 em Cefaleias
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Cefaleia por excesso de medicamentos: Protocolos e desfechos em 149 pacientes consecutivos em um centro terciário de cefaleia brasileiro

(“Medication-Overuse Headache: Protocols and Outcomes in 149 Consecutive Patients in a Tertiary Brazilian Headache Center”)

Krymchantowski AV, Tepper SJ, Jevoux C, Valença M

Headache. 2017 Jan;57(1):87-96

Comentário: Este artigo original escrito por cefaliatras brasileiros (do Rio de Janeiro e de Pernambuco) mostrou os resultados das condutas realizadas em um centro especializado em Cefaleias no Rio, no que tange o tratamento da cefaleia por excesso de medicamentos (CEM). O estudo mostrou que a frequência de cefaleia mensal reduziu um pouco abaixo da metade da frequência basal após 4 e 8 meses de orientações e tratamento. Vamos ver como os autores conseguiram estes resultados:

1) As medicações de abuso mais comuns foram os analgésicos simples com cafeína e os triptanos. Somados, foram responsáveis por mais de 80% dos casos de CEM, e foram usados mais de 20 dias por mês, em média;

2) Todos os pacientes foram devidamente orientados a suspender abruptamente o uso de suas medicações de abuso;

3) Como medicação de crise para substituir as drogas de abuso, os autores prescreveram triptanos associados à AINEs, em várias combinações. Os autores chamam atenção para a eficácia da nimesulida e do clorixinato de lisina (AINEs);

Particularmente, achei um tanto paradoxal você constatar que os triptanos são as drogas mais causadoras de abuso, e prescreve-los como medicações abortivas após a orientação de suspensão da medicação prévia

4) O tratamento de desintoxicação ativa foi usado em quase 70% dos pacientes. A prednisona prescrita por 5 a 7 dias nos primeiros dias após a retirada da droga de abuso (inicialmente a 60 mg/dia por 3 dias, com redução das doses após) foi o único tratamento de desintoxicação feito;

Não foram utilizados esquemas com clorpromazina ou outros antagonistas dopaminérgicos, um dos tratamentos possíveis para o quadro. Também me espantou não terem sido prescritos esquemas com clorpromazina, já que um dos autores sempre foi um incentivador de seu uso. Na discussão, os autores argumentam que não usaram antagonistas dopaminérgicos pela sonolência associada

5) Como tratamento profilático, os autores utilizaram combinações de profiláticos, geralmente manipulados para uso uma vez por dia. Os esquemas usados obrigatoriamente continham topiramato ou valproato. A monoterapia foi usada em apenas 12 pacientes.

De onde vim, não é uma prática comum o uso de profiláticos combinados em um comprimido/cápsula, porém creio que esta decisão tenha sido tomada para melhorar a aderência ao tratamento, que foi excelente nesta casuística (80% dos pacientes mantiveram os tratamentos)

É uma boa leitura e serve para termos ideia de como tratar uma condição tão comum (CEM), nos moldes da realidade brasileira.

Link: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27861826

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