Atualizações em Neuroinfecção – Jan/17 [2]

Publicado: 07/02/2017 em Neuroinfecção
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Meningite criptocócica: epidemiologia, imunologia, diagnóstico e terapia

(“Cryptococcal meningitis: epidemiology, immunology, diagnosis and therapy”)

Williamson PR, Jarvis JN, Panackal AA, Fisher MC, Molloy SF, Loyse A, Harrison TS

Nat Rev Neurol. 2017 Jan;13(1):13-24

Comentário: Apesar do avanço da terapia antirretroviral (TARV) pelo mundo, inclusive nos bolsões de pobreza como os países africanos, casos de meningite criptocócica (MC) relacionados ao HIV não vem diminuindo, devido à má retenção dos pacientes e pobre adesão terapêutica.

Porém o que chama a atenção para este excelente artigo de revisão é o enfoque na MC em soronegativos, algo antes subvalorizado e mal compreendido. Os autores reforçam que a CM deve ser considerada em todo caso de meningite linfocítica em “imunocompetentes”, pois, embora seja uma etiologia rara, é extremamente letal, mesmo nos que recebem terapia adequada (nos EUA, a mortalidade dos soronegativos é até maior!).

As aspas acima (“imunocompetentes”) justificam-se pela descoberta síndromes de imunodeficiência raras (a cada dia mais frequentes) nesses pacientes soronegativos, bem como a associação da CM com doenças crônicas, autoimunes (i.e. sarcoidose) ou neoplásicas. Contudo, ainda assim, em uma casuística norte-americana, 30% mostraram-se aparentemente imunocompetentes!

Enquanto nos HIV-positivos o quadro clínico costuma ser subagudo e febril, os soronegativos tendem a ter evolução mais arrastada do que nos soropositivos, o que, associado ao grande número de pacientes afebris, contribui para o atraso diagnóstico e alta letalidade. Os autores alertam para a frequente simultaneidade do acometimento pulmonar (muitas vezes confundido com Tuberculose nos soropositivos), bem como parra a maior gravidade dos casos que envolvem a espécie C. gatti, prevalente na América do Sul.

Digno de nota foi o avanço tecnológico no que tange ao diagnóstico desta condição após o advento do dipstick test, de tão fácil manuseio e capaz de detectar antígenos do criptococo no sangue e no liquor com alta sensibilidade e especificidade. Vejam abaixo dois esquemas mostrando o funcionamento desse teste diagnóstico:

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Os principais fatores prognósticos da CM são a presença, à admissão, de alteração do estado mental e alta contagem de unidades formadoras de colônia no liquor.

Finalmente, o artigo demonstra que a terapia mais eficaz atualmente é a combinação de anfotericina B com flucitosina (melhor do que a anfotericina isolada), sempre associada com um manejo atento e adequado da HIC (reduz mortalidade!). Boa leitura!

Link: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27886201

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