Atualizações em Neuroimunologia – Fev/17

Publicado: 28/03/2017 em Neuroimunologia
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Desfechos de longo prazo após transplante autólogo de células-tronco hematopoiéticas na Esclerose Múltipla

(“Long-term Outcomes After Autologous Hematopoietic Stem Cell Transplantation for Multiple Sclerosis”)

Muraro PA, Pasquini M, Atkins HL, Bowen JD, Farge D, Fassas A, Freedman MS, Georges GE, Gualandi F, Hamerschlak N, Havrdova E, Kimiskidis VK, Kozak T, Mancardi GL, Massacesi L, Moraes DA, Nash RA, Pavletic S, Ouyang J, Rovira M, Saiz A, Simoes B, Trnený M, Zhu L, Badoglio M, Zhong X, Sormani MP, Saccardi R; Multiple Sclerosis–Autologous Hematopoietic Stem Cell Transplantation (MS-AHSCT) Long-term Outcomes Study Group

JAMA Neurol. 2017 Feb 20 [Epub ahead of print]

Comentário: Este estudo observacional retrospectivo avaliou pacientes com Esclerose Múltipla (EM) previamente submetidos a transplante autólogo de células-tronco hematopoiéticas (TACTH) numa tentativa de “resetar” o sistema imune após falha da terapêutica convencional. Seus méritos incluem a análise de desfechos a longo prazo (média de seguimento: 6,6 anos), incluindo riscos e complicações relacionados a esta alternativa terapêutica; uma grande casuística (n = 281), internacional (13 países) e multicêntrica (25 centros de transplante), que incluiu majoritariamente pacientes com as formas progressivas da EM (EM secundariamente progressiva e primariamente progressiva – 77,6% dos pacientes do estudo), opondo-se à pobreza da literatura até então, que dispunha apenas de estudos com poucos pacientes, maioria com as formas recorrentes (de prognóstico mais favorável) e seguimento curto; inclusão de diversos protocolos de condicionamento pré-transplante, praticados pelos diferentes centros participantes da pesquisa.

A frequência de sobrevida livre de progressão (SLP – tempo sem aumento do EDSS em um ponto) em 5 anos após o TACTH foi de 46% na avaliação de todos os pacientes da casuística, sendo maior nas formas recorrentes (73%) do que nas progressivas (33%). Idade jovem, formas recorrentes e menor número de tratamentos prévios associaram-se com melhores taxas de SLP. Em todos os subgrupos, menores taxas de piora nas escalas de incapacidade neurológica (EDSS) foram observadas após o transplante, com benefício significativamente maior para aqueles com as formas recorrentes.

A sobrevida global (risco de morte após o transplante) foi de 93% em 5 anos e 84% em 10 anos após o transplante, sendo pior entre os pacientes com pior pontuação na EDSS antes do procedimento. A proporção de mortes atribuídas ao transplante foi de 2,8%, mas ao compararem os procedimentos mais recentes (2001-2007) vs. os mais antigos (1995-200), os autores mostraram queda nessa taxa para 1,3%, atribuindo tal melhora a melhores critérios de inclusão e menor intensidade dos protocolos de condicionamento (imunossupressão) pré-transplante.

Pondere-se, contudo, que a despeito de resultados tão animadores, por se tratar de estudo observacional e retrospectivo, não permite confirmar tais benesses do TACTH com nível A de evidência. Aguarda-se ansiosamente pelos próximos capítulos…

Link: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28241268

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