Atualizações em Distúrbios do Movimento – Fev/16 [2]

Publicado: 02/04/2017 em Distúrbios de Movimento
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Ensaio clínico controlado randomizado, fase II, de um programa de exercícios comunitário e auto-administrado, voltado para pessoas com doença de Parkinson

(“Phase II randomised controlled trial of a 6-month self-managed community exercise programme for people with Parkinson’s disease”)

Collett J, Franssen M, Meaney A, Wade D, Izadi H, Tims M, Winward C, Bogdanovic M, Farmer A, Dawes H

J Neurol Neurosurg Psychiatry. 2017 Mar;88(3):204-211

Comentário: Pacientes com doença de Parkinson (DP) do Reino Unido foram aleatoriamente alocados em dois grupos: exercício físico (aeróbico + resistido) em um centro comunitário (grupo intervenção) vs. escrita à mão em casa (grupo controle). Ambas as atividades foram realizadas 2 vezes por semana, em sessões de 60 minutos, durante 6 meses. Ambos os grupos foram seguidos e avaliados até 12 meses do início das respectivas atividades.

Os desfechos avaliados foram: desempenho motor (teste de caminhada de 2 minutos, timed up and go, peg test), aptidão física (aeróbica e força muscular), qualidade de vida e bem-estar (Euro-QOL e SF-36).

Quanto aos resultados, não são empolgantes: após 6 meses, o único teste que teve alguma melhora foi a pontuação motora da MDS-UPDRS, que melhorou 3 pontos no grupo exercício, em relação ao grupo escrita. Os autores sugerem que o ganho proveniente do programa de exercícios decorra menos do ganho em aptidão física e mais do seu efeito sobre a neuroplasticidade.

O estudo é muito útil por alguns fatores: 1) escassez de estudos sobre programas de exercício físico de longo prazo voltados a pacientes com DP, que sejam viáveis, custo-efetivos e auto-sustentátveis; 2) facilidade de adesão dos participantes ao programa proposto, tanto pelo baixo custo, autonomia, baixa necessidade de supervisão, como pelo rápido, significativo e duradouro impacto (positivo) sobre diversas facetas da DP (mobilidade; sintomas motores; qualidade de vida); 3) baixo risco de eventos adversos que impeçam a continuidade; 4) viabilidade e auto-sustentabilidade do programa proposto; 5) os resultados são generalizáveis para aos demais pacientes com DP.

Na prática, percebemos que o grande problema no oferecimento de atividade física aos pacientes com DP é o acesso aos equipamentos e aos treinadores físicos, pois estas ações se concentram em uma parte da localidade, não acessível homogeneamente a toda população de pacientes de uma cidade. Além disso, os programas de atividade física têm um limite de aceitação de pacientes. Em resumo, uma fração muito pequena de pacientes consegue participar destes programas. Deve-se considerar também que há alta taxa de desistência por parte dos pacientes. Uma estratégia descentralizada de oferta de atividade física aos parkinsonianos, como este artigo sugere, poderia reduzir estes problemas.

Link: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27837101

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