Atualizações em Neurologia Geral – Mar/17

Publicado: 19/04/2017 em Neurologia Geral
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Manejo de secreções orais em doenças neurológicas

(“Management of oral secretions in neurological disease”)

McGeachan AJ, Mcdermott CJ

Pract Neurol. 2017 Apr;17(2):96-103

Comentário: Este é um tema em que não se vê revisão todos os dias. Como já se sabe, várias doenças neurológicas podem causar alterações no controle dos processos de produção e depuração da saliva oral, causando um excesso patológico de saliva (também chamada de sialorreia) ou a produção de uma saliva seca e muito espessa. Ambas as situações podem ser prejudiciais aos pacientes, como surgimento de doenças bucais, alterações cutâneas próximas à boca, problemas no sono, e sem contar o impacto social da condição. Dentre as doenças neurológicas, pacientes com condições neurodegenerativas como a esclerose lateral amiotrófica e a doença de Parkinson são especialmente acometidos por sialorreia. Contudo, indivíduos que tiveram acidentes vasculares cerebrais e paralisia cerebral também sofrem com o problema.

Uma das coisas mais legais do artigo é esta tabela:

Dividindo as possibilidades de tratamento de sialorreia em 5 categorias, as três primeiras são mais viáveis. Dentre as medidas não-farmacológicas, os autores sugerem terapia fonoaudiológica específica (reabilitação oral), próteses orais para fechamento da boca, colares cervicais que posicionem a cabeça para trás (indicados principalmente em pessoas com postura de flexão cervical), além de aparelhos de sucção de secreção portáteis.

Dentre as medicações, os anticolinérgicos são as principais opções. As evidências sobre sua eficácia são muito fracas, e aparentemente não há uma medicação que se sobreponha às outras. O artigos sugere adesivo transdérmico de hioscina, solução oral de glicopirrônio, colírio de atropina sublingual e a boa e velha amitriptilina. Devemos lembrar dos efeitos colaterais dos anticolinérgicos e de contra-indicações.

Outra opção que tem ganhado atenção é a aplicação de toxina botulínica (TxB) nas glândulas submandibulares e parótidas, com resultados interessantes e efeitos que podem durar de 3 a 6 meses. É importante lembrar que as glândulas submandibulares devem ser bloqueadas, pois sua produção de saliva é constante durante o dia, enquanto que a das parótidas varia de acordo com estímulos externos olfativos, visuais e gustativos. A disfagia é o efeito colateral mais temido, principalmente em pessoas com doença do neurônio motor. As doses de TxB tipo A (Botox, Xeomin, Prosigne) costumam ser de 100 UI, divididas entre as quatro glândulas. O artigo mostra os pontos de referência para aplicação.

Trata-se de um artigo de leitura obrigatória. Além disso, ele é GRATUITO no link abaixo. Divirtam-se!

Link: http://pn.bmj.com/content/practneurol/17/2/96.full.pdf

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