Atualizações em Neurologia Vascular – Out/17

Publicado: 26/10/2017 em Neurologia Vascular
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Fechamento de Forâmen Oval Patente ou Anticoagulação versus Antiagregação após AVC isquêmico

(“Patent Foramen Ovale Closure or Anticoagulation vs. Antiplatelets after Stroke”)

Mas JLDerumeaux GGuillon BMassardier EHosseini HMechtouff LArquizan CBéjot YVuillier FDetante OGuidoux CCanaple SVaduva CDequatre-Ponchelle NSibon IGarnier PFerrier ATimsit SRobinet-Borgomano ESablot DLacour JCZuber MFavrole PPinel JFApoil MReiner PLefebvre CGuérin PPiot CRossi RDubois-Randé JLEicher JCMeneveau NLusson JRBertrand BSchleich JMGodart FThambo JBLeborgne LMichel PPierard LTurc GBarthelet MCharles-Nelson AWeimar CMoulin TJuliard JMChatellier GCLOSE Investigators

N Engl J Med. 2017 Sep 14;377(11):1011-1021

Comentário: Conforme já mostrado por outros estudos, o forâmen oval patente (FOP) é uma das principais causas de acidente vascular cerebral isquêmico (AVCi) recorrente sem causa definidas (criptogênico) em pessoas com menos de 50 anos. Ainda não há evidências sobre a melhor maneira de se prevenir AVCi em portadores de FOP: fechamento do FOP com procedimento endovascular, uso de antiagregação ou uso de anticoagulação oral. O presente ensaio clínico tentou mostrar a real eficácia desses tratamentos quando comparados entre si em pacientes que tiveram AVCi recente sem causa definida, com FOP e outras anormalidades septais atriais (aneurisma septal atrial e/ou shunt atrial largo).

Na metodologia, tentaram 3 tipos de comparações: (1) fechamento FOP + antiagregação oral de longo prazo, (2) antigregação oral de longo prazo e (3) anticoagulação oral. Os grupos de tratamento foram randomizados em bloco, e não houve cegamento, o que traz importante viés de análise de resultado dos dados. Além disso, o grupo só incluiu pessoas entre 16 a 60 anos – logo, estes resultados, não podem ser transpostos para outros grupos etários. Os autores calcularam uma amostra total de ~900 pacientes para ter poder suficiente de comparação; contudo, só conseguiram randomizar 663 participantes, o que impactou negativamente em várias análises posteriores. O desfecho primário da análise foi a ocorrência de qualquer tipo de AVCi, e como desfechos secundários a taxa de efeitos adversos dos tratamentos e a ocorrência de subgrupos de eventos cerebrovasculares (AIT, AVCi incapacitante etc.).

Como principal resultado, o estudo mostrou que houve menos AVCi em pacientes submetidos ao fechamento do FOP + antiagregação em relação aos tratados apenas com antiagregação oral após um seguimento de ~5 anos (vide figura), com HR impressionante de 0.03 (IC95% 0-0.26, p < 0.0001) – ou seja, o fechamento de FOP reduziria o risco de AVCi em 99.7% em comparação com antiagregação. Na análise de subgrupos de eventos cerebrovasculares, não houve diferença entre os testes, muito provavelmente pela baixa taxa total de AVCi nos dois grupos, o que dificulta uma análise de risco. Em termos de efeitos adversos graves, foi visto que o procedimento endovascular aumentou a incidência de fibrilação e flutter atrial, sem significância estatística. Por problemas no recrutamento, os atores resolveram não comparar anticoagulação com fechamento de FOP.

É um estudo com resultados bem interessantes, porém não podemos deixar de lembrar de duas grandes falhas metodológicas: uma amostra insuficiente para demonstrar os efeitos previstos na concepção do estudo, e a falta de cegamento, provavelmente explicada pela dificuldade em se cegar procedimentos invasivos. Infelizmente, não foi desta vez que esta antiga dúvida foi resolvida.

Contudo, a história não acaba neste artigo. Nesta mesma edição da NEJM, foram publicados outros dois grandes ensaios clínicos que investigaram a eficácia do fechamento de FOP na redução de recorrência de AVCi em comparação com antiagregação oral (Saver et al., 2017; Søndergaard et al., 2017), com resultados que também favorecem o fechamento da FOP em relação ao tratamento clínico, porém com taxas maiores de arritmia após o procedimento. O próprio editorial desta edição da revista foi dedicado a estes 3 estudos conjuntos.

Parece que finalmente temos uma boa evidência sobre a eficácia do fechamento da FOP.

Link: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28902593

 

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